sexta-feira, 30 de março de 2018

Quem continua a desdenhar...

O longo processo de venda dos terrenos da antiga feira popular, em Entrecampos, intriga-me. É defeito profissional. E fico mais intrigado a cada notícia que leio nos jornais. 

Em 2015, saiu um artigo que dizia que os potenciais participantes no leilão organizado pela Câmara Municipal de Lisboa ameaçavam – publicamente - não participar por causa do “excessivo” preço mínimo exigido. Nessa altura, escrevi aqui que isso me soava a (clássica) estratégia de condicionar o vendedor. Se todos os potenciais compradores anunciarem que não participam num processo de venda a menos que o vendedor mude as condições, o poder do vendedor fica aparentemente reduzido: ou aceita o que os compradores querem, ou arrisca-se a não ter participação no leilão. Claro que o vendedor podia – e devia – ter seguido em frente com o processo de venda, esperando que pelo menos um dos compradores mandasse às urtigas o que disse e viesse na mesma ao leilão. Isso – mandar às urtigas o que disse anteriormente – não é, pelo menos em teoria, implausível: se todos os compradores disserem que se abstêm de participar, um deles poderá ter o incentivo de, à socapa, vir à mesma ao leilão e comprar os terrenos a preço da chuva. A questão é que Portugal é um país pequeno, onde existe um número muito reduzido de empresas que participam sucessivamente neste tipo de compras, e de vendas, ao Estado. Também por causa disso, nenhuma dessas empresas deverá terá grande interesse em dar parte de fraca num processo de venda, deitando a perder o poder negociar conjunto que, de outro modo, poderá continuar a beneficiar com as outras empresas do setor. 

Existem no entanto várias formas de o vendedor aumentar o número de potenciais compradores, reduzindo assim o poder negociar dos suspeitos dos costume. Uma questão maior é que o terreno é enorme, e está numa zona central da cidade. É provável que apenas empresas de grande dimensão estejam interessadas em comprar este terreno. Uma compra deste tipo custa muito dinheiro, e exige meios de financiamento próprios, ou acesso privilegiado aos mercados financeiros. Além disso, a posterior construção nos terrenos e a venda parcelar, em apartamentos ou escritórios, exige escala, quer na construção, quer no retalho. Claro que vários potenciais compradores pequenos podem tentar coordenar-se e vir juntos ao leilão, cada um ficando depois com uma parte do todo. Mas esse tipo de acordos é de difícil concretização. Desde a definição de quem paga o quê, até ao acordo do tipo de construção que cada um deles poderá fazer, o mais provável é que nunca saia das intenções. Perante isto, o vendedor pode optar por vender parcelarmente os terrenos. Em vez de vender o bloco como objeto único, divide-o em vários lotes e disponibiliza-los simultanemanete no leilão. Assim, na eventualidade de existirem vários compradores pequenos interessados em lotes individuais, estes não sofrerão do problema de terem de coordenar a sua participação conjunta. Convencendo-os a participar, aumentava-se a concorrência no leilão e diminua-se o poder negociar dos grandes compradores em impor as condições da venda. Aparentemente, mais de dois anos depois, parece ser precisamente intenção da câmara dividir o terreno em lotes

O curioso da notícia, no entanto, é, tal como em 2015, aparentar ter sido escrita sob o ponto de vista dos tais suspeitos dos costume. Novamente, é dito que grandes compradores estão pouco interessados em vir ao leilão, nas condições sugeridas pela Câmara. Ora isso não faz nenhum sentido. É perfeitamente natural que as grandes empresas só queiram vir ao leilão se conseguirem comprar o terreno na sua totalidade, não querendo arriscar sair de lá com alguns, mas não todos, os lotes disponíveis. Por exemplo, poderão querer construir um edifício que ocuparia três dos lotes, pelo que ganhar um ou dois lotes não lhe serviria de nada. Mas, num leilão bem desenhado – e isso é crucial aqui -, nada os impedirá de licitar pela totalidade ou pelo número de lotes que quiserem, sem risco de ganhar menos do que isso. Isso faz-se permitindo licitações em pacote. Uma licitação em pacote é uma licitação combinada, ou conjunta, por um determinado número de lotes. Se sair vencedora, quem a fez ganha todos os lotes incluídos no pacote. Se não for vencedora (porque a soma das licitações feitas sobre cada lote individual é superior), o licitante não ganha nada. Não há – novamente, num leilão bem desenhado – qualquer risco de um licitante ganhar apenas um número de lotes para os quais não tem valor. E, assim sendo, não há nenhuma razão para os grandes compradores não virem ao leilão. 

Novamente, parece apenas conversa de quem quer tentar convencer a Câmara a mudar as condições do leilão para benefício próprio. É apenas pena que os jornalistas não consigam ver para além disso. Mas já seria uma tragédia se a Câmara também não conseguisse.

domingo, 25 de março de 2018

O acto de matar

The Act of Killing (2012) de Joshua Oppenheimer e de um anónimo é o documentário mais perturbante que vi até hoje. Oppenheimer filma encenações dos próprios carrascos das execuções que fizeram 50 anos antes na Indonésia. Em 1965-1966, o general Shuarto, apoiado pelos EUA, comandou um golpe para derrubar os comunistas. Fala-se no massacre de 1 milhão de comunistas, muitos de origem chinesa. Os carrascos são hoje heróis nacionais e muitos estão no poder. Mataram com as próprias mãos centenas e centenas de comunistas. Não se vê qualquer arrependimento do que fizeram. Estavam a salvar o país e hoje fariam tudo na mesma. O regime continua, aliás, a louvá-los e a homenageá-los sem cessar. Muitos não escondem inclusive o prazer que as matanças lhes davam. Brincam com o sofrimento das vítimas. A personagem principal, Anwar Congo, um gangster (significa homem livre, dizem eles amiúde) muito temido nessa época, no fim diz sentir-se um bocado mal. As encenações das execuções trouxeram-lhe de volta os mortos e esse não era um sentimento agradável para ele. Ao mesmo tempo, muitos desses carrascos parecem pessoas simples, normais, alegres, gostam de cantar e dançar. O que me perturbou foi perceber que, vivessem eles noutro contexto, e teriam sido, provavelmente, apenas uns tipos porreiros, bons pais de família e cidadãos exemplares.
Foi isto que Hannah Arendt percebeu quando, no início dos anos 60, assistiu ao julgamento de “Eichmann em Jerusalém”. Eichmann era um homem bastante inteligente e, ao mesmo tempo, profundamente estúpido na medida em que não era capaz de perceber o que se passava com as pessoas à sua volta. O seu pensamento reduzia-se a clichés, que são o conforto do mal como escreveria Arendt. A banalidade do mal é isso. A superficialidade, a suspensão do pensamento. A mente povoada de lugares-comuns torna os seres humanos mais propensos a ceder ao mal. Eichmann era um tipo vulgar, como muitos que conhecemos. Não era um ser demoníaco, como muitos o preferiam pintar. Arendt descobriu uma coisa terrível. Uma das origens do mal é a superficialidade, a estupidez e os lugares-comuns que lhe estão atrelados. À época, essa "descoberta" perturbou imenso, em especial a comunidade judaica, e Arendt pagou um preço elevado. Foi ostracizada. Quase 60 anos depois, a forte intuição de Arendt continua a perturbar. The Act of Killing é uma prova disso.




sábado, 24 de março de 2018

O FB e a descoberta da pólvora

Em 2012, vários colaboradores da campanha de Barack Obama contaram que utilizaram dados do FB de milhões de eleitores susceptíveis de serem convencidos a votar no seu candidato. Na altura, esta revelação não chocou ninguém. Há muito que se sabe que as campanhas mais sofisticadas utilizam esses dados para fazerem propaganda indivíduo a indivíduo. Estas operações podem ser, de facto, decisivas nos resultados eleitorais. As diferenças marginais são importantes porque na maioria dos países existem 4 a 10% de eleitores flutuantes (swing voters). Isto é ou não um perigo para a democracia? Talvez. Mas o meu ponto é que há por aí muita hipocrisia numa das indignações do momento. Ou então esta gente andava toda a dormir.

quinta-feira, 22 de março de 2018

Mais um

A grande notícia de hoje para a economia foi a Reserva Federal ter aumentado a taxa de juro outra vez, já vai no sexto aumento desde a recessão. Jerome Powell, o novo Chairman da Reserva Federal, indicou que este ano haverá pelo menos três aumentos, tendo o de hoje sido o primeiro. Veremos se conseguirão manter o plano e se haverá um quarto.

Não sabemos é quando, e se, estes aumentos nos EUA irão levar a aumentos no lado da União Europeia. É que diferenciais nas taxas de juro entre países levam a movimentos de capitais ao nível internacional que servem para atingir um novo equibrio. Pelo sim, pelo não, paguem os cartões de crédito e tenham uns trocos extra para a hipoteca...

terça-feira, 20 de março de 2018

Aos alunos da FEUC

Caros alunos da FEUC,

Tal como vocês, estudei na FEUC e posso, mais de 20 anos depois de ter terminado a licenciatura, assegurar-vos de que a educação que recebi na altura me permitiu competir no mercado de trabalho internacional e atingir um certo nível de sucesso. Quero com isto dizer-vos que é uma boa escola, que pode ser usada como plataforma para uma carreira profissional gratificante. Mas devemos estar cientes que uma universidade não serve para ensinar a regurgitar; serve, sim, para dotar os alunos de ferramentas que lhes permitam avaliar problemas criticamente e procurar soluções e, por isso, uma parte do sucesso da vossa educação depende da vossa vontade de usar o que aprendem.

Há, no entanto, uma área em que a FEUC é fraca e que é em questões de ética, pois de vez em quando convida pessoas para ensinar que exibem deficiências nessa área, que são previamente conhecidas. Gostaria de vos falar do último caso e que é o convite ao ex-Primeiro Ministro José Sócrates para discutir o tema “O Projecto Europeu Depois da Crise Económica”, no dia 21 de Março, às 14h, no auditório da FEUC. Como é do conhecimento público, José Sócrates publicou vários trabalhos sob o seu nome, que não eram da sua autoria. 

No contexto de uma universidade, um aluno que plagie cronicamente pode estar sujeito a ser expulso, logo por que razão uma pessoa com este comportamento é convidada para ser um ponto de referência na vossa educação? Para além disso, José Sócrates exibe deficiências técnicas na compreensão da economia que, também elas, são do conhecimento público, logo que tipo de conhecimento poderá ele oferecer-vos?


Dado o investimento em termos de tempo e dinheiro que têm de fazer, é vossa responsabilidade exigir que a FEUC vos proporcione oradores com um mínimo de qualidade. Cabe por isso a vós o papel de fazer perguntas pertinentes tanto à escola, como ao orador, e manifestar um nível de exigência que seja compatível com a educação que querem receber, pois está em causa a vossa futura reputação profissional.



quinta-feira, 15 de março de 2018

Campanha da vassoura

A DdD soube de fonte segura que Rui Rio está a considerar iniciar uma campanha da vassoura. O objectivo da campanha é triplo: por um lado pretende assegurar aos camaradas que votaram nele que ainda está disposto a dar um banho de ética ao PSD, nem que seja à vassourada; por outro, precisa de um lembrete porque reconhece que ninguém, muito menos ele, vai para novo; e ainda ajudaria a economia nacional.

Sendo assim, o plano é pedir aos caríssimos portugueses que lhe mandem vassouras biodegradáveis para proceder à limpeza do partido: se as vassouras forem ubíquas na sua proximidade, Rui Rio não se esquecerá do que tem de fazer e os portugueses podem também fazer uso de uma vassoura para lhe lembrar, com umas bordoadas bem aplicadas. Finalmente, como Portugal tem matas por todo o lado, o aumento da produção de vassouras biodegradáveis iria permitir ao país usar o material de limpar as ditas, o que contribui para o desenvolvimento das zonas rurais, a redução de externalidades negativas, e maior segurança no território português.

Aguardamos s ansiosamente o lançamento oficial da campanha da vassoura...

terça-feira, 13 de março de 2018

Houve progresso?

Então, o Feliciano já foi corrido do PSD? Esta é a prova de fogo de Rui Rio e acho bem que se distancie desta malta. Se querem que vos diga, sinto um profundo nojo. Eu, para arranjar um emprego onde vivo, tenho de me sujeitar a uma investigação criminal, a exames de urina para ver se consumo estupefacientes, a referências profissionais, e a investigações do meu crédito pessoal e eu passo a isso tudo com muito orgulho. Eu tenho vergonha na cara, meus caros, e sinto um enorme peso nos meus ombros: sou uma pessoa que é portuguesa e vive no estrangeiro e não quero conspurcar o meu nome, nem o nome do meu país. E estes gajos que andam nos partidos aí nem um CV sem mentiras conseguem ter e ainda envergonham o país no estrangeiro.

E ainda -- porque isto parece uma competição de safadeza --, olhem para esta ordinarice: o júri da tese de mestrado do Feliciano -- um fulano do PSD, um ex-Secretário de Estado do PS, e uma ex-Ministra do PS -- diz que é grave o que ele fez. A sério, o que ele fez é grave? E o que vocês não fizeram não é grave? Foi-vos dada a responsabilidade de avaliar as credenciais académicas de uma pessoa e nem o estatuto do aluno conseguiram verificar. É preciso ter lata! Como é que esta gente tem emprego?

domingo, 11 de março de 2018

Escolasticamente pobres

Não percebo se há uma fixação em Portugal com o grau de professor universitário ou se o público, em geral, inclusive os jornalistas, é ignorante em assuntos universitários e em princípios básicos de jornalismo.

Por exemplo, depois da confusão em redor do estatuto de Pedro Passos Coelho, confrontamo-nos com outra situação em que a palavra "professor" é usada de forma errada e até o nome da universidade erram. Há tantos erros na peça, que eu nem sei quem disse o quê.

Lê-se na peça da agência Lusa publicada no Expresso acerca de Feliciano Barreiras Duarte, o seguinte:
'Em causa está o estatuto de "visiting Scholar" da Universidade da Califórnia, em Berkeley, que o secretário-geral do PSD retirou entretanto do seu currículo.'
e
'Um dia depois de o semanário Sol ter noticiado que Feliciano Barreiras Duarte teve de retificar o seu currículo académico para retirar o item que o indicava como professor convidado (visiting scholar) na Universidade de Berkeley, na Califórnia, Estados Unidos, o novo secretário-geral do PSD veio justificar-se em declarações ao Diário de Notícias.'

Em primeiro, scholar não se traduz como professor. Segundo, a Universidade de Berkeley não existe; existe a Universidade da Califórnia, que tem um campus em Berkeley, que é um de 10 diferentes. Terceiro, o estatuto de visiting scholar não existe na Universidade da California-Berkeley; o que existe são os estatutos de Visiting Researcher Scholar, que é reservado a pessoas com doutoramento, e Visiting Student Researcher, reservado a pessoas que são estudantes numa universidade que não a UC-Berkeley.

Isto está tudo explicado na página de Internet da universidade, logo por que razão o jornalista não investiga o assunto antes de escrever na peça uma informação que induz em erro o leitor?

sábado, 10 de março de 2018

Limites de adaptação

Foi no Sábado passado que apanhei um Uber para ira para o aeroporto e depois vir para Memphis, talvez tenha sido um Lyft, já não me recordo. O condutor era um rapaz da Venezuela, que trabalha num banco, onde faz originação (é assim que se diz?) de novos empréstimos e, segundo me disse, o negócio está bom. É esquisito que alguém que tem um emprego que parece bom ainda faça biscates pelo meio, mas é comum haver empregos part-time nos EUA e acho que agora com a Uber e Lyft muito mais pessoas têm. Ou talvez não, pode ser que haja maior visibilidade e isso turve a minha impressão. Por exemplo, num prédio onde vive uma amiga minha, um dos senhores da recepção é professor primário durante a semana e trabalha no prédio ao fim-de-semana. E depois há as senhoras que vendem Mary Kay, Avon, Stampin' Up, etc.

Sempre que conheço alguém da Venezuela pergunto como vão as coisas por lá. É verdade que há as notícias, mas o testemunho directo também é importante, especialmente hoje em dia quando o noticiário compete com entretenimento. Não estão muito bem, disse-me ele. Fala-se em eleições, mas os resultados são o que interessa ao governo. Os jovens que podem saem e há um envelhecimento da população. Era preciso que houvesse uma revolução, mas eu disse-lhe que as revoluções não costumam ser feitas por idosos. Exactamente, responde ele e rimo-nos ambos. Passámos a viagem de quase 40 minutos a rir.

Até há pouco tempo, ele tinha uma namorada na Venezuela, o que fazia com que visitasse com bastante frequência: cada seis meses. Mas as coisas complicaram-se porque distância e amor não combinam sempre e depois para ela vir para aqui há os vistos, o processo de imigração, etc. Teria de se casar para a poder trazer. Perguntei-lhe se ele tinha a certeza que ela gostava dele e ele não me pareceu muito convencido, para além de me dizer que o pai dele perguntava, em tom retórico, por que razão não tinha ele arranjado uma rapariga simpática nos EUA. Ele chegou a pensar em regressar, mas tem uma filha pequena nos EUA, que ele quer visitar todas as semanas logo sair ficou fora de questão. Achei bem.

Na última visita, levou um smart phone para o pai. Contava usá-lo enquanto lá estava, mas foi assaltado quando ia na rua com o pai e o tio, com o telefone no bolso das bermudas. Um fulano numa mota topou que era um smartphone deu meia-volta e roubou-o. Perguntei-lhe se as pessoas se vestiam assim ou se ele tinha ido para lá armar-se em americano. Vestem-se assim, garantiu-me. O pai não ficou triste, pois gosta de andar com o telefone baratucho a que chamam de barata, como o insecto. Uma vez o pai foi assaltado; quando o ladrão viu o telefone, devolveu-o e agora o episódio é contado com humor pelo pai, aliás ele diz-me que o pai é muito bem humorado. A mãe tem um smartphone, mas só o usa em casa.

A vida está difícil, mas os pais parecem estar bem; só não há dinheiro para ir de férias e é perigoso andar na rua. Isto trouxe-me à ideia os relatos de um amigo meu português que viveu em S. Paulo, no Brasil. Aconteceu-lhe ir jantar a um restaurante e quando saiu o carro não estava onde o tinha estacionado porque tinha sido roubado. Pensei na confusão que seria, mas ele disse-me que era normal: ia-se à polícia para ir buscar um papel para a seguradora e davam a indemnização pelo carro. Mesmo quando foi raptado durante algumas horas, o meu amigo não ficou afectado. Não aconteceu nada, para além de ser raptado. Não levaram muito dinheiro.

Para mim é estranho, mas suponho que quando vocês vêem notícias de tiroteios no EUA devem sentir esta estranheza: como é que alguém vive assim? Vive-se assim porque temos uma capacidade imensa de nos adaptarmos, mas há coisas que acho que não consigo.

http://www.humansofnewyork.com/post/171706138581/they-came-to-our-house-first-because-its-closest

quarta-feira, 7 de março de 2018

Eleições no Texas

Esqueci-me de vos dizer que hoje, Terça-feira (para mim; já é Quarta para vós), decorreram as eleições primárias no Texas. Os resultados ainda estão a sair, mas amanhã vai estar nos noticiários porque nestas eleições aumentou bastante a participação dos eleitores, especialmente os que votaram nas primárias democratas. Eu votei nessas, fi-lo antecipadamente, na semana passada, mas cheguei a pensar votar antes nas republicanas para poder votar contra o Ted Cruz (Senado) e o John Culberson (Câmara dos Representantes). Em vez disso, votei no Beto O'Rourke e na Lizzie Fletcher e ambos ganharam. Podem consultar os resultados aqui, no Politico.

Mudança

No Sábado, entrei num avião e mudei-me para o Tennessee: regressei a Memphis. Apesar de já ter vivido aqui e ter gostado bastante de cá estar, sinto o local estranho e sempre que ouço a palavra Memphis não a associo a casa. A grande ironia é que vendi a casa que eu tinha em Memphis no dia 4 de Janeiro e no dia 8 de Fevereiro recebi uma proposta de trabalho. Não me arrependo de ter vendido a casa, pois foi a decisão certa e o mercado imobiliário está no pico e demorou umas cinco semanas a fechar o negócio, sendo que nós publicitámos mesmo antes do Dia de Acção de Graças, logo uma época baixa.

Foi complicado preparar a casa para vender pois tivemos de fazer algumas obras. No entanto, não me posso queixar, pois tenho uma agente imobiliária que deve ser uma das melhores agentes nos EUA. Faz um acompanhamento do cliente fantástico, contacta profissionais para arranjar orçamentos para as obras, discute quais as opções que fazem mais sentido do ponto de vista de retorno do dinheiro gasto, dá apoio emocional, ajuda a decorar a casa, escolhe um bom fotógrafo, e certifica-se que as fotos são boas, etc. Já usei vários agentes para compra e venda e ela foi a melhor, nem tem comparação.

Entretanto, estou a passar três semanas num hotel, enquanto procuro por uma casa para arrendar. Apesar de já vos ter falado de Memphis, vou tentar ver a cidade com olhos novos e relatar-vos as coisas que acontecem aqui. Hoje, na viagem de Uber para o trabalho, a condutora era uma senhora do Chile, que não gosta de aqui estar porque acha a cidade triste e quer regressar para o seu país. Está aqui enquanto os filhos não têm a vida orientada: o mais novo tem 15 anos e o mais velho já está na faculdade. Ela trabalha no sistema de educação e conduz para a Uber nos tempos livres; é mãe solteira e o ex-marido não a ajuda com as despesas dos filhos.

Eu nunca tinha pensado em Memphis como sendo triste, mas é a "home of the Blues, birthplace of Rock 'n' Roll". Sabem o que me faz mesmo feliz? Em Abril, a cidade enche-se de flores -- os cornizos (dogwood) são as minhas árvores preferidas -- e o verde das árvores parece cristalino, como se tivéssemos entrado numa floresta encantada. Depois eu mostro-vos...

domingo, 4 de março de 2018

Aos Camaradas de Direita

Se eu soubesse que bastava Passos Coelho ser convidado para ir ensinar numa universidade para os camaradas de Direita lhe darem valor, teria feito campanha para isso. Infelizmente, alguém teve essa ideia primeiro e Passos Coelho é agora Dr. Passos Coelho porque é licenciado e tem valor. Eu acho que Rui Rio tem valor e, ainda por cima, é licenciado em economia, como o Dr. Passos Coelho. Também acho que a transformação que ocorreu na cidade do Porto sob o Dr. Rui Rio deveria ser um case study para outras cidades. Não sei por que razão ainda não house ninguém numa universidade portuguesa que o tenha convidado para dar aulas ou, pelo menos, uns seminários, em administração pública e local, mas fica aqui a ideia.

Ah, sim, camaradas de Direita, quando quiserem criticar Rui Rio, não se esqueçam que não é Rui Rio, é Dr. Rui Rio, if you’re nasty!



sábado, 3 de março de 2018

Enviado por um amigo fora do Facebook

Actualmente estou a tentar fazer amigos fora do Facebook... mas usando os mesmos princípios. Todos os dias saio à rua e durante alguns metros acompanho as pessoas que passam e explico-lhes o que comi, como me sinto, o que fiz ontem, o que vou fazer mais tarde, o que vou comer esta noite e mais coisas. Entrego-lhes fotos da minha mulher, da minha filha, do meu cão, minhas no jardim, na piscina e fotografias do que fizemos no fim-de-semana. Também caminho atrás das pessoas, a curta distância, ouço as suas conversas e depois aproximo-me e digo-lhes que "gosto" do que ouvi, peço-lhes que a partir de agora sejamos amigos e também faço algum comentário sobre o que ouvi. Mais tarde, partilho tudo quando falo com outras pessoas. E funciona. Já tenho 3 pessoas que me seguem... São dois polícias e um psiquiatra.