segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Procrastinar



Há uns dias, deu-me para andar a procurar vídeos da Marlene Dietrich e acabei por ver este filme dela: The Monte Carlo Story (1957), que está completo no YouTube. Já não me recordo o que causou tal busca, mas decerto que foi um ataque de procrastinação. (Eu sei, eu sei, tenho andado ausente, mas escrevo-vos posts na minha cabeça todos os dias -- só não os chego a publicar... My bad!)

Pronto, vou deixar-vos outra coisa gira: alguns pedaços da entrevista da Ruth Bader Ginsberg, Juíza do Supremo Tribunal dos EUA, a Poppy Harlow. RBG, como é conhecida, tem 85 anos e está fresca que nem uma alface...

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Progresso

Ontem à tarde, nas notícias dos EUA, enquanto se tentava enquadrar a queda do mercado accionista, que chegou a estar 10% abaixo do máximo histórico, o que faz das quedas da semana passada e desta uma correcção e não apenas uma flutuação, a grande pergunta que se fazia era se o governo federal americano iria fechar outra vez à meia-noite. No All Things Considered, da NPR, entrevistavam-se membros do Congresso do lado dos Democratas e do lado dos Republicanos, num jogo de passa-a-culpa.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

How they met themselves

Elizabeth Siddal foi uma supermodelo que inspirou a parte mais importante das obras com interesse dos pré-rafaelitas. Gabriel Rossetti foi por sua vez um dos mais inspirado dos pré-rafaelitas, e manteve com a Elizabeth uma relação conturbada de doze anos, que viria a culminar com o suicídio dela com uma overdose de opiácios (tese que o Oscar Wilde viria a desafiar, sugerindo que foi Rossetti que a matou). 

No início da relação, em 1850, Rossetti começou a pintar um quadro que só viria a terminar praticamente no fim da relação com Elizabeth. Este dado é curioso – Rossetti foi um dos pintores mais produtivos dos pré-rafaelitas. Completou várias dezenas de quadros de Elizabeth e, quando estava apertado de dinheiro, pintava como se não houvesse amanhã. No entanto, demorou dez anos a terminar este quadro particular – um quadro aliás bastante medíocre, quando comparado com todos os outros que o tornaram famoso, e que hoje está literalmente escondido num museu em Cambridge (tem de se fazer marcação para poder vê-lo, numa cave). O quadro representa o próprio casal a encontrar-se consigo mesmo. Passeando num bosque, Rossetti e Elizabeth dão de caras com duas pessoas iguais em tudo a eles próprios, e têm uma reacção meio aparvalhada: ele desembainha a espada, sem que se perceba se é para atacar ou se defender; ela perde os sentidos. 

Olhando para o futuro, a partir de quando começou a ser pintado, ou para o passado, a partir de quando foi terminado, este quadro faz igualmente sentido. A partir do 1850, olhando para a frente, poderia refletir as ansiedades da paixão e as suas milhentas contradições – se for verdade que nos apaixonamos pela nossa imaginação do outro, e não por ele mesmo, o maior medo deve ser darmos de caras com a realidade. A partir do 1860, olhando para trás, refletiria o imenso choque perante o que falharam em se tornar – ela, que tinha o talento suficiente para ser patrocinada pelo crítico de arte mais conhecido do século XIX, mas que nunca veio a criar nada de memorável (quem é que hoje sabe quem ela é?); ele, que a manipulou para a tornar vulernável e dependente dele, e acabou por carregar com o peso dela nos braços. Se calhar o quadro também faz sentido se olharmos para ele como uma premonição final, dado que Rossetti viria em falhar em proteger Elizabeth de si própria (se ela se matou), ou de ele mesmo (se Oscar Wilde tiver razão). 

É uma obra tão maravilhosa como medíocre.

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