terça-feira, 30 de maio de 2017

Amigos assim...


Tudo é possível...

No Instagram há um grupo de pessoas que ajuda cães carlinos, também conhecidos por pugs. Os meus cães nos EUA são todos pugs e é por isso que me mantenho atenta ao que se passa com esta raça. Ontem, um pug de 9 meses foi salvo pela The Pug Queen. The Pug Queen é Izabella St. James, antiga Playboy Bunny, que viveu na Playboy Mansion entre 2002 e 2004, e entrava no reality show.

O pug, chamado Puggy, vivia no Irão onde foi mal-tratado. Quando o Puggy era bebé, fez xixi no tapete lá de casa; em troca, recebeu um pontapé que lhe partiu o pescoço e o deixou incapaz de andar. Para adoçar a coisa, parece que os donos só lhe davam arroz e iogurte e o cão ficou mal-nutrido. Ainda houve mais umas tropelias na vida deste cão, com novos donos, uma cirurgia falhada, e regresso aos donos antigos.

Surpreende-me que se saiba tanto detalhe sobre ele porque um dos capítulos finais da história é que o cão foi abandonado junto a uma auto-estrada em Teerão, no Irão, altura em que houve alguém de ascendência iraniana, que vive em Nova Orleães, que se indignou com a vida do animal e decidiu mesmo ir salvá-lo. No entanto, é um cão facilmente identificável por causa da deficiência física com que ficou depois de lhe terem partido o pescoço.

Quando o Puggy chegou ao aeroporto em Los Angeles, tinha a Rainha dos Pugs à sua espera, pessoas com cartazes, e uma equipa de TV local da cadeia ABC. Na Internet, há uma página a pedir doações para cuidar do Puggy -- lá podem ler a história do cão -- ; o objectivo era angariar $5.000, mas já tem mais de $11.500. Tudo é grande na América!

Alguém ir dos EUA ao Irão salvar um cão é obra, mas ir dos EUA do Trump ao Irão salvar um cão é para mim uma coisa muito mais impressionante. Parece que nem o Trump consegue derrotar o espírito americano! (E,sim, este pessoal é todo maluco...)

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Piquenique

Ontem foi o piquenique dos expatriados portugueses aqui de Houston. Costuma haver dois por ano, um na Primavera e outro no Outono. Este teve um convidado muito especial porque o Armando Nascimento Rosa tem em exibição uma das suas peças aqui em Houston -- talvez tenham visto a notícia da Agência Lusa acerca da estreia -- e veio ao piquenique.

Como este fim-de-semana é prolongado devido ao Memorial Day, que se celebra hoje, muitas pessoas que costumam ir estavam ausentes, porque aproveitaram para viajar. Mesmo assim, havia mais de 20 adultos e muitas crianças pequenas. Surpreende-me ver pessoas de gerações anteriores à minha, mas há um contínuo de idades que sempre está presente. Para mim, estas alturas são bastante especiais porque, durante muitos anos, eu não conhecia ninguém português aqui com quem pudesse conviver; só depois de vir para Houston é que tive esse privilégio.

A comida costuma ser bastante tradicional e é uma altura em que me encho de admiração por toda a gente que cozinha tão bem os pratos tradicionais portugueses tão longe de Portugal. Havia vários pratos de bacalhau (eu fiz a meia-desfeita de bacalhau -- tive de estudar a receita porque não conhecia, mas achei um desafio giro), lombo de porco assado, salada fria de polvo (estava deliciosa!), bola de carne, etc. Não cheguei a provar tudo porque tive de guardar espaço para a sobremesa e tenho de vos dizer que me entusiasmei um bocado e esqueci-me de tirar uma foto para partilhar convosco.

A minha meia-desfeita de bacalhau, que foi servida numa taça da Bordallo Pinheiro
(tenho de comprar a ferramenta para fatiar ovos)


O prato com um sortido do que havia disponível
(sou um bocado desarrumada a servir-me)

domingo, 28 de maio de 2017

Desobediência civil

Como explica Hannah Arendt, a desobediência civil de um indivíduo isolado dificilmente provocará muito efeito. O indivíduo será olhado como um excêntrico, eventualmente interessante para observação, mas, regra geral, não suscitará preocupação. Os outros acharão por isso que não vale a pena tentar suprimi-lo. A desobediência civil só se torna significativa quando surge associada a um certo número de pessoas que têm uma comunidade de interesses.

Nem melhores, nem piores

Tem-se falado muito do perigo do populismo, mas pouco do chamado elitismo. O elitismo é uma espécie de populismo virado do avesso. Para os “elitistas”, a democracia é uma “hooligania”, dominada por escroques, ignorantes e estúpidos. O mundo caminharia assim para o abismo. É, por conseguinte, necessário proteger o povo de si próprio. Soluções? Entregar a política às elites, que, a bem do povo, governariam muitas vezes contra a vontade deste. E, como defendem alguns teóricos, só votariam, por exemplo, os que passassem num teste de literacia política. Nada disto me parece realista ou viável. De qualquer maneira, não há nenhuma razão para acreditarmos que as elites acertam mais do que o povo. Nem menos, já agora. Como explicavam, por exemplo, Maquiavel ou Hobbes, a natureza humana é a mesma, os instintos do povo e das elites são os mesmos. Nem melhores, nem piores.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Contas improváveis

Esta semana, Mário Centeno sugeriu numa entrevista à Reuters que era possível que a economia portuguesa crescesse mais de 3% em termos homólogos no segundo trimestre de 2017. Se isto se verificasse, passaríamos de uma taxa de 2,8% no primeiro trimestre, para uma de mais de 3% no segundo trimestre, ou seja, uma aceleração de pelo menos 0,2%.

Lembrei-me de ir ver os dados históricos e contar quantas vezes é que a variação homóloga do PIB acelerou do primeiro para o segundo trimestre. Construí o seguinte quadro sumário, a partir dos dados do INE:

Os desactualizados

Por acaso, hoje fui visitar a página de Internet do Centro Hospitalar da Universidade de Coimbra, e notei que havia uns links giros nos destaques que nos convidavam a olhar para os dados. Fui ver do que se tratava; mas, em ambos os casos, os únicos dados disponíveis eram os de 2012.

Pergunto-me por que razão é que se gasta dinheiro a fazer estas coisas, se não é para continuar? Mais valia estarem quietos. Ou será que quem faz a manutenção da página de Internet não reparou que a página está quase cinco anos desactualizada? E notem que a desactualização tanto acontece com governos de Esquerda, como de Direita.

Outro pessimista

Mick Mulvaney, o Director do Office of Management and Budget apresentou esta semana a proposta de orçamento do Presidente Trump. A reacção mais crítica veio de Mark Sanford, Representante da Carolina do Sul e Republicano. Tive oportunidade de ouvir parte do que ele disse quando estava a ouvir as notícias na rádio e concordo com a sua apreciação dos dados.

O Huffington Post relata a intervenção de Sanford:
"Sanford offered some basic history to challenge Mulvaney’s assumptions. For starters, he noted that the average economic expansion in all U.S. history lasts about 58 months. The current expansion begun under President Barack Obama has been underway for 94 months. The Trump budget, Sanford noted, assumes that will continue uninterrupted for an additional 214 months.

“This budget presumes a Goldilocks economy, and I think that’s a very difficult thing on which to base a budget,” Sanford said. He also noted that the Bible cautions against building a house on sand.

Sanford took specific aim at the unemployment, growth and inflation rates the budget relies on.

“Can you guess the last time we had an unemployment rate of 4.8 percent, growth at 3 percent, and inflation held at 2 percent?” Sanford asked. “It’s never happened,” he answered, when Mulvaney didn’t.

After pointing to other assumptions in the budget that have never happened, Sanford argued that to get the growth rates assumed by the budget, it would take a return to economic and demographic circumstances that haven’t existed since the 1950s and 1960s. That was when women were entering the workforce, highways were being expanded, appliances were first flooding the markets, productivity was skyrocketing, and the Baby Boomers were going to work, rather than retiring en masse.

“Even if we went to 1990 numbers, we would only see one-quarter of what is necessary to achieve 3 percent growth,” Sanford said.


Fonte: Huffington Post

A reacção de Mulvaney foi descrita na CNBC:
"Mulvaney defended the White House's projection earlier in the hearing, saying he was "stunned" about widespread doubts that the U.S. can achieve — and maintain — 3 percent growth. He argued that people would have to be "pessimistic" to assume such a level of expansion is "somehow unreasonable.""

Fonte: CNBC

E se fossem à merda?

Hoje há greve outra vez, mas é uma greve que dá jeito a todos. A Geringonça que governa o país ainda não arranjou maneira de resolver os conflitos entre os partidos do Governo sem causar greves. Eu não sei em que universo opera esta gente ignóbil, mas o mais lógico e o que nos venderam foi que era possível governar sem greves, se estes partidos estivessem no governo, porque podiam ameaçar retirar o apoio ao PS, que era uma arma supostamente muito poderosa. Afinal não era arma nenhuma porque eles acham-se desarmados.

Diz a Joana Mortágua: "A reposição de rendimentos e de direitos do trabalho que está a ser feita por este Governo é importante e devia ser feita de forma mais profunda e mais rápida, [...] a luta dos trabalhadores ajuda a este objectivo para que o Governo entenda que temos uma pressão social forte para avançar". Não percebi, mas tenho a impressão que a Joana também não sabe o significado do que disse.

Por estes dias, a minha paciência anda curta. Há pouco mais de duas semanas, foi encontrada, ao meu pai, uma massa nos intestinos que precisava de ser analisada, mas houve dois dias dias de greve e depois o dia de ponte por causa do Papa. Nessa altura, na madrugada de 11 de Maio, o meu pai sofreu um acidente isquémico transitório e teve de ser levado para as urgências. Teve azar! Esta semana teria dado mais jeito.

Vão à merda, caros governantes.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Quando se deve errar?

Uma vez, um modelo meu errou duas semanas seguidas. Depois do segundo erro, sugeriram-me se não havia uma variável que eu pudesse usar de forma a diminuir esse erro específico. Não me parecia. O erro anterior tinha sido na direcção oposta, logo o meu modelo não estava a fazer um erro sistemático: uns eram positivos, outros eram negativos, como devia ser e não houve nenhum evento captado por uma variável a que eu tivesse acesso, que pudesse antecipar aquele segundo erro e o anterior. Não fiz nada ao modelo. Na semana seguinte, o modelo acertou exactamente, e a mesma pessoa que me tinha sugerido mudar o modelo, deu-me os parabéns por ter acertado.

Na minha profissão, conto errar perto de 100% do tempo, mas preocupa-me o tamanho dos meu erros e a direcção dos mesmos. Há alturas em que, por haver informação muito mais limitada, os meus erros irão ser grandes e eu espero que sejam; à medida que mais informação fica disponível, os meus erros têm de ser menores; mas não podem ser sistemáticos. Também me interessa a evolução das variáveis, a maneira como interagem umas com as outras -- as coisas passarem o teste de cheiro, como dizia um antigo chefe meu.

Há erros que são desejáveis. Por exemplo, alguém que vai ao médico e o médico diz "Se você não fizer X, Y, e Z, vai provavelmente morrer dentro de dois anos." Qual o objectivo do médico: acertar na projecção a todo o custo ou errar de propósito? Em economia encontramos o mesmo tipo de problema: há previsões que são feitas para não se concretizarem.

Chateia-me um bocado quando as pessoas dizem que sou pessimista. Um bom economista tem de ser pessimista por natureza, pois uma das nossas funções é gerir risco, logo temos de estar sempre à procura de coisas que possam correr mal; ninguém se importa quando as coisas correm bem. Para além disso, muitas vezes, quando as coisas vão para o torto, descobre-se que muita gente comprometeu a sua integridade profissional, ou seja, erraram quando tinham informação suficiente para não o fazer.

Há certos erros que devem ser tolerados; outros não.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Olhos, ovos, e pornografia

Quando andava no nono ano de escolaridade, falhei um teste vocacional. Não sei bem como se sabe que uma pessoa falha coisas destas, mas o certo é que a psicóloga me mandou ir ao oftalmologista porque suspeitava que eu precisava de óculos. Fui e precisava; fiz o teste e passei. A minha vocação é contabilidade. 


Usei óculos até aos 25 anos, altura em que me mudei permanentemente para os EUA e, na minha residência universitária, reparei que não conseguia identificar as pessoas que se aproximavam vindas do fundo do corredor. Era um bocado aflitivo olhar para alguém e não o reconhecer, mas se tirasse os óculos não tinha esse problema. Então deixei de os usar. 


Mais tarde, em 2004, quando mudei de emprego, tive uma secretária muito profunda e passava bastante tempo a programar em GAMS. Tive a brilhante ideia de enfiar o écran do computador bem no fundo da secretária para ter mais espaço para ter cadernos e livros. Foi uma das piores ideias que tive, pois passados uns meses os meus olhos começaram a picar bastante. A certa altura, fechá-los tornou-se doloroso até -- pensei que fosse ficar cega. Marquei uma consulta para um oftalmologista e a médica foi muito simpática, fez-me um exame muito rigoroso, e concluiu que eu tinha os olhos muito secos. Quão secos? Mais secos do que as pessoas de idade avançada que eram seus pacientes. Deu-me ordens para fazer mais intervalos enquanto trabalhava com o computador e de, de vez em quando, colocar uma compressa húmida quente sobre os olhos, pois o calor estimulava a produção de lágrimas boas -- aquelas que são hidratantes. 


Perguntei à médica se eu via bem e ela disse que sim, havia um bocadinho de estigmatismo, mas como não tinha sido corrigido, o meu cérebro tinha compensado (sou como os mercados: eficientemente ineficiente). Fiquei contente de não precisar mais de óculos e costurei umas bolsas de pano, com grãos de arroz lá dentro, para ter no escritório, aquecer no microondas, e colocar sobre os olhos de vez em quando. Achei mais prático do que usar compressas húmidas. 


Até há poucos anos, à parte da minha tendência para ter os olhos secos, nada mais notei; mas recentemente, noto que já não consigo ver muito bem quando estou a ler algo em letra pequena. No outro dia, não conseguia ver o rótulo da lata de atum Sta. Catarina (dos Açores), para ver quantas calorias tinha. Isto é muito importante porque eu leio sempre os rótulos de tudo -- é um vício meu. 


Hoje quando estava na loja ao pé dos ovos, notei que havia uma marca nova de ovos. Fiquei curiosa e comecei a ler o pacote. Li "Porn free" e pensei "Por que razão é que os ovos estão livres de pornografia? Que coisa mais estranha..." Voltei a olhar para o pacote e desta vez foquei mesmo os olhos no que dizia: "Born free". Ah, sim, mas estes ovos não são, nem nunca serão, nascidos, pensei...



segunda-feira, 22 de maio de 2017

Nós, os criminosos

Na semana passada, o Juiz John G. Roberts, Presidente do Supremo Tribunal dos EUA, confessou que, uma vez, tinha conduzido a 60 milhas por hora, numa zona de 55, e não foi apanhado. Vejam lá o tipo de pessoas que chegam ao Supremo! Em 2010, no Cimarron Turnpike, quase na saída para Stillwater, Oklahoma, fui apanhada a conduzir a 100 milhas por hora, numa zona de 75. Ia sozinha de Fayetteville, AR, para passar a noite em casa dos meus sogros e depois, ao outro dia, ia para Denver, Colorado. (É por causa destas viagens que se inventaram os livros audio.) Lá paguei a multa de quase $300 porque o polícia teve pena de mim e deu-me a mais leve porque era a minha primeira infracção. Serviu-me de lição.

Intuições

Nas minhas incursões pela página do INE, consultei o ficheiro de indicadores económicos. Neste caso, não foi preciso fazer contas, bastou olhar para os dados mensais. Meti cada ano lado a lado, para facilitar a comparação, que é bastante intuitiva:

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Um presente envenenado

Enquanto anda tudo entusiasmado com o primeiro trimestre de 2017, vale a pena comparar vários anos para vermos se estamos piores ou melhores do que quando a Geringonça tomou posse. Sendo assim, fui ao site do INE ver o que lá andava. (Confesso que fui ao INE porque o Pedro Romano quase que nos desafiou a lá ir e eu tenho muita dificuldade em resistir a desafios).

É estranho que, quando o governo PSD/CDS estava no poder, falar em défice, dívida, e PIB era sinal de corrupção moral, pois havia coisas muito mais importantes do que isso. Só que agora, com o défice de 2016 pequenino e o crescimento do PIB do primeiro trimestre de 2017 grande, toda a gente que criticava dá urras e proclama a virtude destas variáveis económicas.

Fiz uns cálculos básicos (ver as contas a vermelho no boneco abaixo*) para ver como tinham crescido o PIB e a dívida pública anualmente e depois, usando as estimativas do governo para 2017, tirei a média anual de 2016 e 2017 para poder comparar com 2015. De 2014 para 2015, a dívida pública cresceu 2,44% e o PIB 3,71% (em termos nominais).

Se a Geringonça conseguir cumprir o prometido em 2017, então, a dívida crescerá 1,56% e o PIB 2,99%; depois de, em 2016, crescerem 4,11% e 3,02%, respectivamente (estimativas, ainda). Em média, em 2016 e 2017, a dívida cresceu 2,83% e o PIB 3,01%, ou seja, aumentar o crescimento da dívida não resultou em nenhuma aceleração do crescimento do PIB, logo aumentar a dívida pública não gerou nenhum retorno para a economia.



Fonte: INE e cálculos meus

Por vezes, ouve-se as pessoas dizer que a economia portuguesa está estagnada, mas isto é incorrecto, pois o PIB real está estagnado, mas cada vez é necessário mais dívida para o manter estagnado, ou seja, Portugal está a empobrecer. A Geringonça não mudou isto, mesmo com o PIB a crescer 2,8% no primeiro trimestre de 2017, pois isto não compensa o fraco desempenho de 2016. Talvez em 2018, Portugal volte a estar como estava em 2015, o que significa que Portugal desperdiçou mais de dois anos.

*Note-se que são valores nominais, mas como a inflação acelerou desde 2015, não afecta o meu argumento.

Antes e depois

Mário Centeno antes, 19/8/2015

Mário Centeno agora, 19/5/2017

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Temos mais um doutor

Ontem o José Carlos defendeu brilhantemente uma brilhante tese de doutoramento em Comunicação Social sobre a Teoria da Espiral do Silêncio, de Elisabeth Noelle-Neumann.

Da próxima vez que o José Carlos se peidar será um doutor peidando-se. Não é um cheiro qualquer, é um odor a rosas.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Não percebo

Pssiuuuu, alguém me explica como é que um homem que tem um corte de cabelo que compete com a carpete "shag" de Elvis Presley, em Graceland, pode opiniar acerca da indumentária feminina de trabalho?

Poupar e gastar

"There’s a time in everyone’s life to save. There’s also a time when you’re supposed to spend. That time is commonly known as retirement.

Millions of Americans aren’t doing that, however, which has put the U.S. in a perverse situation. Younger generations aren’t saving enough as their income slips further behind previous generations. Older Americans meanwhile sit atop unprecedented piles of assets built through stock market and real estate booms.

Yet these retirees, or at least the affluent ones, aren’t spending it. It turns out they’re afraid of the unknown.

In all, American households and nonprofits were worth $93 trillion at the end of last year, according the U.S. Federal Reserve. That’s almost $300,000 for every man, woman, and child in the country. Of that, Americans held $25.3 trillion as retirement assets, according to the Investment Company Institute. That includes $8.4 trillion in defined-benefit pensions and $14.9 trillion in individual retirement accounts and 401(k)-style plans."


Fonte: Bloomberg


Normalmente, presume-se que as pessoas poupam para continuar a ter níveis de vida confortáveis quando se reformam, logo o evento da reforma iniciaria um período de poupanças negativas. Mas para um grupo de reformados, que acumulou grandes poupanças, isto parece não fazer sentido, pois mesmo reformados não só não gastam, como continuam a poupar. Deduz-se, então, que a causa de terem acumulado tanta riqueza foi o não gastarem, em vez da ideia comum de que acumularam a riqueza para a gastar.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Milagres e diversificação

O PIB cresceu à taxa anual de 2,8% no primeiro trimestre de 2017 devido às exportações, com um grande peso para as exportações para Angola, que cresceram 48,3% em termos homólogos, ou seja, o crescimento da economia portuguesa dependeu das exportações para um país cuja capacidade de financiamento depende do preço do petróleo e que tem problemas com corrupção, violação de direitos humanos... Que boa notícia e é sustentável!

Lembram-se que, no ano passado, o mau resultado do primeiro trimestre se devia ao mau desempenho das exportações para Angola -- devíamos mandar um cartão a agradecer terem tido aquela crise porque deu-nos jeito agora. Notem que, para diversificar o risco das exportações, Portugal tem mais dois santos beatificados, logo atrairá mais turistas.

Dava jeito se houvesse mais um milagre que nos garantisse mais peregrinos, por exemplo, a imagem de Cristo queimada em pasteis de nata ou nas queijadas de Tentúgal. Com uma doçaria conventual tão extensa, é quase impossível que não haja milagres deste tipo a torto e a direito...

O consumo não cresceu, mas a procura de crédito não parou de crescer para comprar casa e carro. Quem diria...

O emprego no estado, em Março, também cresceu, apesar de nos terem assegurado que as medidas dois por um (aposentam-se dois, contrata-se um) estavam a ser implementadas. Bem sei que é uma impossibilidade matemática, mas considerem isto o milagre de Segunda-feira.

Correr para afundar

Uma das (muitas) contradições dos EUA é o facto de os estados liderados por governos Republicanos se insurgirem contra o fraco crescimento dos EUA, quando são esses mesmos estados que contribuem para esse fraco crescimento. Um dos casos emblemáticos é Oklahoma, que desde 2010 é governado por Mary Fallin, Republicana, a primeira mulher a ocupar o cargo. Durante a sua liderança, Oklahoma tem cortado o orçamento da educação e reduzido os serviços prestados pelo governo estadual aos cidadãos. Ao mesmo tempo, os jovens têm saído de Oklahoma à procura de melhores oportunidades -- Oklahoma sofre de uma fuga de cérebros.

George Kaiser, o homem mais rico de Oklahoma, acumulou a sua fortuna na banca e em petróleo, e escreveu uma peça de opinião acerca da persistência de oitos mitos sobre Oklahoma. (Poder-se-ia dizer que a peça de opinião de Kaiser, publicada ontem no Tulsa World, é o equivalente à idea dos "desmitos" da economia portuguesa popularizada por Álvaro Santos Pereira.) Kaiser, um dos 50 filantropos mais importantes dos EUA e fundador da George Kaiser Family Foundation, escreve o seguinte:

"Like many Oklahomans, I am deeply disturbed about the deterioration of our state over the past five years, while our leaders looked away. I have lived here for more than two-thirds of the life of the state, and I have never seen the situation so desperate or the governmental response to the plight of our people so dismissive.

In terms of quality of life and core government services, we are truly in a race to the bottom. As an oilman and banker, I know that we cannot attract talent nor retain our bright high school and college graduates nor generate any true economic development with poor schools, health care, public safety and infrastructure. We are seeing an evacuation of our best and brightest, and not just teachers. Our greatest job growth is in low wage call/fulfillment centers. This is a self-inflicted wound — the direct result of an extreme application of the discredited economic theory that tax reductions stimulate economic activity, the so-called Laffer (should be Laugher) Curve.

Most of us will acknowledge that the state is in a fiscal meltdown. We have long ago cast off the frills and fat and are now deep into the muscle. How did we get to this point and how can we turn the vicious cycle into a virtuous one? It starts by understanding and rejecting the eight myths upon which the prevailing policies are based:


ler mais aqui

Sobre o Salvador Sobral e a sua performance

Faço parte daqueles que desde o início não gostaram muito da sua canção e não gostaram nada da sua performance em palco. Não participei nestas votações, mas se tivesse participado não seria com o meu voto que Sobral passava da primeira semifinal em Portugal.

Todavia, quer gostemos quer não, às vezes as nossas opiniões passam a ser irrelevantes. Pelas reacções que a canção causa, pela forma como algumas, mas ainda assim muitas, pessoas se comovem a ouvir a canção, tem necessariamente de ser uma excelente canção. Isto independentemente de alguém em particular gostar ou não (como é o meu caso). Há alturas para se remar contra a maré, mas também há alturas em que temos de nos render. É este o caso, penso eu.

Miau, miau*

O Dr. Ross é um veterinário no Colorado que faz serenatas aos pacientes. E o Aquecimento Global que nunca mais leva o Oceano Atlântico para o Colorado para eu poder me mudar para lá...

* "In other words, I love you..."


domingo, 14 de maio de 2017

Sorry, but not sorry!

Diz-me o Salvador (faz de conta): "I don't know why you treated me like you do, but you do, lord, you do..."
Digo eu: Sorry, but not sorry! (Ah, grande brutinha que eu sou...)


Suficiência

Enquanto regava as plantas, pensava na vitória de Salvador Sobral na Eurovisão. Tentei ouvir a canção há coisa de dois dias, mas não consegui terminar porque não me suscitou interesse. As impressões sobre a canção dividem-se: uns adoram, outros acham horrível, e outros acham que se deve investir em gostar do Salvador Sobral e da canção, até porque é uma pessoa simples, bom rapaz, cardíaco, etc. A minha amiga Sofia ofereceu-me a explicação mais plausível da vitória: não foi uma macacada e não era tecno, logo foi a melhor. Só mesmo uma economista para acertar os ponteiros da coisa.

Continuei a pensar no assunto da vitória e ocorreu-me, durante a minha jardinagem, que, desde que a Geringonça foi para o governo, o país deixou de querer ser o melhor, para ser apenas suficiente. Na vitória do Euro, Portugal ganhou não porque tivesse ganhado mais jogos, mas porque não perdeu tantos jogos. Agora, com o Salvador, ser melhor significa que não fomos tão maus quanto os outros. Talvez por alguém no Facebook ter dito que tínhamos de gozar estas vitórias porque teríamos de esperar mais 500 anos para ter tanta glória, lembrei-me das aulas de história do oitavo ano, em que era preciso aprender os motivos que facilitaram os Descobrimentos. Uma das razões era a dificuldade de continuar a expandir o país por terra.

Quando nós pensamos nos Descobrimentos, pensamos na glória de irmos por mares "nunca dantes navegados", mas à luz das vitórias deste ano, não me parece que a decisão tenha sido motivada pela glória; o motivo foi sabermos que não éramos suficientemente bons para fazê-lo de outra maneira. Não éramos os melhores, apenas éramos suficientes.

As três qualidades indispensáveis de um político

Num célebre texto intitulado “A política como vocação” de 1918, Max Weber estabelece três qualidades indispensáveis (ou ideais) de um político: a paixão, o sentido de responsabilidade e a moderação - mesura é a palavra que aparece na tradução que li. A paixão significa a entrega apaixonada a uma causa. Todavia, a paixão deve ser movida pelo sentido de responsabilidade. Caso contrário, não passará de um romantismo estéril, de que sofrem muitos intelectuais. Daí a necessidade da terceira virtude: a moderação, isto é, a capacidade de aprender com a realidade, de saber ler os seus sinais, de escutar os seus apelos e apreender a sua complexidade. Esta moderação é fundamental para criar distância. Uma distância em relação a tudo, a começar pela distância em relação a si próprio. Sem essa distância, o político cai inevitavelmente na vaidade, uma doença que afecta muita gente, nomeadamente académicos e cientistas. Mas a vaidade é especialmente perniciosa no caso dos políticos, devido ao mal que pode fazer aos outros e os outros podem ser uma nação inteira, e, hoje, acrescento eu, pode até ser o mundo inteiro. A vaidade é o gosto do poder pelo poder. É a ânsia de aparecer, de produzir um efeito, típico do demagogo. Por isso, o político corre o risco de se tornar um comediante ou de não tomar a sério a responsabilidade dos seus actos e de se preocupar somente com a impressão que faz. Da vaidade nascem os dois pecados mortais da política: 1) a ausência de finalidades objectivas; 2) a irresponsabilidade.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Palavras lidas

"Devemos evitar a redundância e o pleonasmo."

Salvação selvagem

Finalmente, ouvi a música do Salvador Sobral, mas não consegui terminar. Salvam-me os Savages (não são esses...)

Now
We have a tune
But we don't even know how it sounds
Because that's the way...

That's right!
We have no idea how it sounds
Because we've never heard what the hell he's gonna do

But it's still gonna be alright...

I've seen the Golden Gate
In San Francisco Bay
I've seen the Empire State
Walked down old Broadway


quinta-feira, 11 de maio de 2017

Nunca mais passa!

Estou tão farta de ver estas memes. Nunca mais passa esta pancada de fazer estas flores e este tipo de letra pintada a pincel. Yuck!!!

Tirado de algures no Tumblr...

Metro

Peguei num post que escrevi no facebook, e mandei o seguinte email a Assunção Cristas. Fica como carta aberta.

"Sou de esquerda, apoiante confesso da solução governativa atual e um admirador do trabalho do atual presidente da Câmara de Lisboa. Julgo que nunca votaria em si, mesmo que pudesse votar em Lisboa nas próximas eleições. Saí do país há cerca de quatro anos por causa, na minha visão, de uma política económica criminosa, que levou à obliteração de capacidade produtiva nacional, algo que pode ter hipotecado o futuro do país durante pelo menos uma geração.

 Tenho de fazer esta introdução para explicar o contexto do que escrevo a seguir. Aplaudo a coragem de ter feito a proposta que ontem fez relativamente à expansão do metropolitano de Lisboa. Apoio totalmente essa proposta, e repugna-me ver a reacção que o meu "lado" político teve à mesma. Deve ser por estas coisas que nunca pertenci a um partido político. Muitas das pessoas que chamam faraónica à sua proposta são as mesmas que não pestanejaram quando foi de meter milhares de milhões de euros de dinheiro público a salvar bancos privados (ainda há poucos meses, com o banif). Estender o transporte coletivo que centenas de milhares de pessoas usam por dia - uma opção que reduz a dependência energética, aumenta a produtividade, beneficia o turismo, reduz a poluição e os custos de saúde associados, reduz a pressão sobre os preços no centro da cidade, enfim, é estruturante e nuclear para a vida de todos os dias de centenas de milhares de pessoas - é "faranóico". Drenar milhares de milhões de euros de todos nós para premiar os crimes e incompetências de banqueiros pagos a peso de ouro é uma "inevitabilidade", por causa do "risco sistémico". Isto, para mim, é absurdo e inaceitável. É a negação de tudo aquilo que vale a pena em Política, e converte a discussão numa javadeira insuportável.

 Melhores cumprimentos, e obrigado novamente,

Luís Gaspar"

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Violência doméstica

"-- A veteran reporter was arrested yesterday at the West Virginia state capitol after attempting to ask HHS Secretary Tom Price a question about the Republican health-care bill. Samantha Schmidt reports: “Dan Heyman, a journalist with Public News Service, repeatedly asked the secretary whether domestic violence would be considered a preexisting condition under the Republican bill to overhaul the nation’s health care system, he said. ‘He didn’t say anything,’ Heyman said later in a news conference. ‘So I persisted.’ Then, an officer in the Capitol pulled him aside, handcuffed him and arrested him. Heyman was jailed on the charge of ‘Willful Disruption of State Government Processes’ and was released later on $5,000 bail.” Authorities claim Heyman was “aggressively breaching” Secret Service agents who were protecting Price to the point where they were “forced to remove him a couple of times from the area.” But Heyman – who was wearing a press pass and identified himself as a reporter – says that prior to his arrest, no police officer told him he was in the wrong place. “This is my job, this is what I’m supposed to do,” Heyman said. “I think it’s a question that deserves to be answered. I think it’s my job to ask questions and I think it’s my job to try to get answers.” The ACLU of West Virginia calls Heyman’s arrest “a blatant attempt to chill an independent, free press” and demands the “outrageous” charges be dropped immediately. “Today was a dark day for democracy,” the group said in a statement."

Fonte: Washington Post, The Daily 202

Pessoas decentes

“Now I will tell you something very profound, which I have learned after many years. War makes murderers out of otherwise decent people. All wars, and all decent people.”

~ Ben Ferencz, citado no Independent

Teorias

Já devem saber que Donald Trump despediu o director do FBI, James Comey, com a justificação de que o seu testemunho ontem no Congresso acerca dos e-mails de Hillary Clinton não foi factual. O testemunho exagerava o número de e-mails supostamente comprometedores e prejudicava, mais uma vez, a reputação de Hillary Clinton. 

Donald Trump elogiou a forma como Comey lidou com a re-abertura da investigação dos e-mails em Outubro do ano passado; agora despede uma pessoa que disse ser altamente competente. Ontem e hoje, uma das questões em aberto para a qual ninguém tem resposta foi era o porquê de Donald Trump ter contratado Michael Flynn para National Security Adviser e porque é que este só foi despedido 18 dias depois de se saber que tinha induzido Mike Pence em erro. 

Acho que o despedimento de Comey é apenas uma manobra para desviar as atenções das investigações da ligações da Rússia à campanha de Trump. Mas nesta altura do campeonato, acho que é difícil não cair na tentação de teorias de conspiração...

terça-feira, 9 de maio de 2017

Safa-se o rabo

Quando os meus amigos me queriam descansar por causa da ansiedade que uma presidência Trump me causava, diziam-me coisas como "Ele não vai ser mau de todo, está rodeado de homens de grande calibre, militares..." Depois apareceram as histórias de Michael Flynn: general de três estrelas, que vendeu os seus serviços à Rússia, ocultando a troca de dinheiro, e fez lobbying para a Turquia pelo qual recebeu $600 mil. Flynn sabia de antemão que não devia ter feito estas coisas porque, em 2014, recebeu uma carta da Defense Intelligence Agency a informá-lo das restrições a que estava sujeito por via da Constituição americana, mas fê-lo na mesma. E agora, sabemos que Trump foi informado que havia algo de errado com Flynn, mas nomeou-o na mesma.

Estas coisas dão-me vontade de rever o "No Way Out" de 1987 porque, quanto mais não seja, o Kevin Costner tinha um rabo giro. É o único "ass" que se safa nisto tudo!

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Uma oportunidade perdida...

"Pedro Marques, ministro do Planeamento e Infraestruturas diz que investimento público cresceu mais de 25% relativamente ao primeiro trimestre de 2016. 'Estamos com o dobro dos contratos de obras públicas', declarou Pedro Marques aos jornalistas, em Coimbra."

Fonte: Eco, 8/5/2017

No ano passado, o governo a esforçou-se imenso para atingir a meta do défice e, para tal, cortou o investimento público. Agora anuncia que houve um crescimento de 25% nos fundos investidos no primeiro trimestre de 2017, relativamente ao período homólogo do ano passado. À vista desarmada, parece que isto é bom, mas isto constitui uma das maiores oportunidades perdidas de Portugal dos últimos anos.

Se o governo tivesse cortado o investimento público no ano passado ainda mais, para um valor perto de zero -- um cêntimo seria o ideal --, teria tido um défice ainda melhor e, este ano, se se investisse apenas 11 cêntimos, o investimento público poderia crescer 1000%. Imaginem! O défice seria pequenino e o aumento do investimento público astronómico. Não era maravilhoso?!?

Meses, anos...

Saiu mesmo agora a notícia de que Obama avisou Donald Trump a 10 de Novembro, pessoalmente, de que Michael Flynn estava comprometido e não devia ser contratado para National Security Adviser. Entretanto, diz Eric Swalwell (Democrata da Califórnia, membro do Comité de Informação da Casa dos Representantes -- House Intelligence Committee), que há informação secreta que sugere que houve colusão entre a campanha de Donald Trump e a Rússia, mas que vai levar tempo -- meses, talvez anos -- para destrinçar todas as operações financeiras das partes envolvidas para obter as provas da trama.

Parece-me que os americanos estão a investigar um caso tipo Sócrates, mas aposto que chegam lá mais depressa, apesar de terem começado mais tarde.

Progresso

Andam a arranjar algumas das ruas ao pé de mim. O pavimento estava em péssimo estado, com o alcatrão a rachar devido à erosão do solo na berma da estrada e umas valetas enormes que dificultavam a passagem de peões; houve até uma pessoa que foi atropelada. Mas mais do que a segurança dos peões, a motivação para as obras tem a ver com o sistema de esgotos e recolha das águas da chuva.

Nos últimos dois anos, partes de Houston sofreram inundações duas vezes, mas antes disso já havia problemas. Houston é uma cidade construída numa área pantanosa, aliás o sistema de vias rápidas que serve a cidade foi construído sobre pântanos, as zonas menos desejáveis, o que eliminou o sistema natural de recolha de excesso de águas da chuva.

Apesar de Bellaire, onde eu vivo, estar numa zona mais alta e menos propensa a inundações, quem vive na área há décadas constata que tem havido subsidência do solo. Em 2001, várias ruas em Bellaire ficaram inundadas devido à tempestade tropical Allison, o que alertou a atenção dos responsáveis pela cidade e os induziu a pensar num plano a longo prazo. Como a cidade tem crescido e a área das casas aumentado, há também menos espaços verdes onde a água das chuvas possa penetrar o solo, evitando acumular-se à superfície.

Por um lado, estou contente por poder circular em maior segurança; mas também estou triste. Julgo que as valetas eram importantes para os sapos da vizinhança se reproduzirem. Sem valetas, não haverá acumulação de água das chuvas, nem sítio onde as sapinhas possam largar os ovos para serem fertilizados pelos sapinhos. A vida de sapo é muito dura...

Aqui estão algumas fotos dos trabalhos até agora, que fui tirando ao longo de várias semanas para partilhar convosco.

Dúvidas eleitorais

Estou feliz que Marine Le Pen tenha perdido; mas, e se fosse ao contrário, se o candidato maluco fosse um homem e a candidata aceitável fosse uma mulher, será que o resultado se manteria?

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Quer dizer...

Se é preciso desorçamentar o investimento público para não agravar o défice, quer dizer duas coisas:
  1. o governo é incapaz de reduzir a despesa pública de forma a libertar recursos para financiar o investimento -- afinal as gorduras não eram assim tão fartas ou o governo não se quer chatear com os interesses instalados; e
  2. a economia não vai crescer o suficiente para absorver a despesa do investimento.

Nesse caso, para que é que vão investir: para comprar o voto dos eleitores ou para distribuir dinheiro a amigos?

Na mesma...

Como escrevia o LA-C no Observador há uns meses, o critério do défice já não serve para nada, dada a subversão a que foi sujeito depois de alcançar relevância política. O governo português tem andado a sondar o Eurostat no sentido de saber se os investimentos no âmbito do plano Juncker podem ser deixados de fora das contas do défice.

Note-se que o critério do "défice" é um critério relativo: é o rácio do défice sobre o PIB potencial. Se os investimentos gerarem crescimento para a economia, tanto na sua construção, como depois do investimento terminado, então o PIB potencial aumenta mais do que o valor do investimento, logo o défice melhora. Se é preciso deixar o investimento fora do défice para não o agravar, é porque o governo tem bastante confiança de que o investimento não irá gerar valor para a economia que justifique o seu custo.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Zimbro





Um embuste

Ontem à noite passou uma tempestade por Houston: era chuva a dar com um pau, trovoada, relâmpagos... Enfim, um espectáculo glorioso, mas não foi uma grande tempestade, se bem que durante o dia estivemos sob alerta de potencial tornado. As tempestades são realmente uma das minhas coisas preferidas; é como um lembrete da nossa insignificância e remonta-nos a um passado em que nós ainda estávamos a tentar compreender como sobreviver no mundo.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Seguir e liderar

No fundo, o grande desafio de qualquer líder político é encontrar uma combinação feliz entre seguir e liderar. Se segue apenas as modas do momento, nunca passará de um simples cata-vento sem um pingo de credibilidade. Se se limita a liderar e a indicar o caminho, arrisca-se a ignorar as inquietações dos eleitores e dos militantes e, de caminho, a abrir as portas ao populismo. Não é fácil, nem está ao alcance de qualquer um. Porém, há uma qualidade que distingue todos os grandes políticos: não precisam de sondagens para avaliar o sentido da opinião pública. É uma coisa instintiva. Ou se tem ou não se tem.

terça-feira, 2 de maio de 2017

Era bom, era!

Catarina Martins acha que se deve acabar com a precaridade:

É impressão minha ou o Bloco de Esquerda faz parte da Geringonça há ano e meio e o discurso continua a ser precário?..

Um recurso giro

O Steve Ballmer, antigo CEO da Microsoft, decidiu criar um projecto que agrega toda a despesa pública americana aos níveis local, estadual, e federal. O projecto chama-se USAFacts e o conceito base é interessante: quanto é que é gasto em cada um dos mandatos da Constituição para o governo.

"We soon discovered that dealing with something as big and complex as government – with its more than 90,000 jurisdictions and 23 million employees – required an organizing framework. What better place to look than the Constitution, and, more specifically, the preamble to the Constitution? It lays out four missions: "Establish justice, ensure domestic tranquility; provide for the common defense; promote the general welfare; and secure the blessings of liberty to ourselves and our posterity." While we don’t make judgments about policy, we all agree on the broad purposes of government as laid out in the preamble to the Constitution."

Fonte: USA Facts

Na entrevista ao NYT, Ballmer disse que o desafio inicial foi da esposa, que lhe disse para se envolver mais em filantropia, só que Ballmer achava que o governo já tratava de tudo. Ela disse-lhe que não, que havia bastante lacunas. Note-se que, nos EUA, a esposas de homens abastados estão frequentemente envolvidas em projectos de filantropia e acção social, logo elas têm muito melhor noção das falhas que existem do que os homens.

Nessa conversa, Ballmer teve consciência de que não sabia muito bem onde o governo gastava o dinheiro. Uma das coisas que o surpreendeu foi quando descobriu que quase 24 milhões de pessoas nos EUA trabalham para "o governo", ou seja, os "burocratas" não estão apenas em Washington, D.C., se calhar são nossos vizinhos...

Seria um projecto giro para Portugal também.

P.S. Notem que Steve Ballmer acabou por entrar em parceria com três universidades privadas para realizar o projecto: Stanford University, Lynchburg College, e University of Pennsylvania.