sábado, 23 de setembro de 2017

Estranheza


Cheguei a Londres na Quarta-feira de manhã. Ultimamente não me tem apetecido viajar, mas incomoda-me quando fico demasiado confortável, como se entrasse num estado de letargia emocional. Já há algum tempo que sentia que era preciso vir aqui buscar um pedaço de mim e gravar aquilo que sinto. 


Depois de me orientar -- tornar-me confortável... -- a primeira coisa que fiz foi ir à Tate Modern para visitar os murais de Seagram de Mark Rothko, mas antes passei pela galeria onde estavam os John Cage de Gerhard Richter e é qualquer coisa do outro mundo estar ali. É como se nos chamasse à distância e nos enchesse de luminosidade quando entramos. 


A galeria onde estão os murais de Seagram surpreendeu-me por estar tão escura, especialmente em contraste com a capela de Rothko, onde, apesar de os quadros serem variações de negro, o espaço consegue ter grande luminosidade. Mas faz sentido, pois os murais foram criados para despertarem um sentimento de opressão e, ao colocá-los num ambiente escuro, tornam-se num mecanismo de compaixão.


Não sei se foi a sugestão do banco, mas na galeria onde estavam os murais, as pessoas não se aproximavam dos quadros, ficando sentadas no meio, como se estivessem numa ilha. Tive pena que não fosse um barco, onde pudessem partir e me deixassem só, mas isso talvez seja uma desculpa que racionalizei para regressar um dia. 


Londres surpreende-me pela sua familiaridade e estranheza. Numa esquina, senti-me transportada para perto de DuPont Circle, em Washington, D.C.; aliás, encontro bastantes coisas comuns entre as duas cidades -- por exemplo, a primeira galeria permanente com quadros de Rothko pertence à Phillips Collection. 


Depois há as lojas: as lojas onde faço compras normalmente também estão em Londres e este lado da globalização inspira-me uma mistura de tristeza e felicidade. É bom estarmos em casa em qualquer sítio, mas perdemos algo da experiência se todos os sítios têm as mesmas coisas. 


Na montra do Starbucks ao pé da Catederal de St. Paul, um póster informa-nos que ao entrarmos devemos esperar uma boa experiência, mas preferi que fossemos a outro sítio diferente. Depois de comprarmos o café no Eat, mandaram-nos sair porque tinha acabado de fechar às 17 horas. O café era mau, o serviço também, e chovia. Saímos e procurámos o primeiro caixote do lixo. 


Acabámos por ir tomar café ao Nero, em Oxo Tower, onde o interior tinha ar-condicionado, o que para mim é bastante confortável, pois estou tão habituada. Por onde vou, noto outras coisas que são diferentes dos EUA: nos restaurantes, os empregados não nos dão um copo de água imediatamente, nas lojas cumprimentam-nos de forma fria, na rua é raro ouvir alguém rir. 


Não consigo deixar de pensar na fama que os americanos têm de serem insensíveis e de tratarem mal as pessoas. Em algumas coisas é verdade, mas noutras não é -- como em tudo. E estranho em mim o quanto sinto que a minha casa, o sítio onde pertenço, é do outro lado do Atlântico.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

To go for a drink is one thing. To be driven to it is another*

Ir beber um copo com os amigos é ótimo. Ser obrigado a ir beber um copo com gente de que não gostamos é uma grande chatice. Pode ser o mesmo copo, a mesma bebida e o mesmo bar, mas as duas experiências são o mais diferentes possível. Uma faço porque quero, a outra faço porque os outros querem que eu faça. A diferença no sabor da bebida está, portanto, na quantidade de liberdade que lhe juntamos.

Até há poucas semanas, eu estava genuínamente convencido que o direito à auto-determinação era um assunto encerrado no mundo ocidental. Entretanto, tenho visto ensaiados vários argumentos que, explícita ou inplicitamente, questionam o direito da Catalunha à auto-determinação.

Num extremo, o argumento que mais explicitamente nega o direito à auto-determinação é o argumento de que os catalães não têm o direito de referendar a sua independência, porque tal viola a letra da Constituição de Espanha. Ora sujeitar a possibilidade de uma região se tornar independente às regras jurídicas do país de que faz parte é, precisamente, negar à primeira o direito à auto-determinação. A palavra chave em auto-determinação é “auto”. A partir do momento em que há a possibilidade de uma região se tornar independente, mas esta não depende exclusivamente da vontade dos cidadãos dessa região, não existe direito à auto-determinação. Para quem, pois, defende o direito à auto-determinação, o que diz a Constituição de Espanha é, forçosamente, irrelevante – na realidade, no limite, mesmo uma promessa solene de Espanha de que mudaria a Constituição para permitir um referendo devia ser ignorada, porque a fonte do direito à independência não devia residir em Espanha. O direito a unilateralmente referendar a independência é um direito inalienável da própria região, e uma lei que se oponha a este direito é ilegítima.

O segundo argumento que tenho visto acrescenta uma nuance ao primeiro argumento. O argumento continua a ser o de que os catalães não têm o direito de referendar a sua indepedência, mas não é apenas por violar a Constituição de Espanha. É porque a Constituição de Espanha é a constituição de um país democrático. Este argumento já não é totalmente contra o direito à auto-determinação. É apenas contra o direito à auto-determinação de regiões que estão inseridas em países democráticos. Em primeiro lugar, quem usa este argumento teria de se opor ao direito das colónias britânicas e francesas exigirem a independência nos anos 40 e 50 do século passado – já para não falar do direito de Angola, Moçambique e Guiné exigirem a independência de um Portugal democrático, em 1975. Em segundo lugar, a democracia não pode permitir a ditadura da maioria. A democracia é apenas genuína no seio de uma comunidade que não tenha incentivos – ou meios – de punir ou discriminar uma parte da sua comunidade, só porque sim. Ao contrário de diminuir a democracia, o direito de secessão unilateral de uma região é um contra-poder essencial que fortalece o equilíbrio de poderes dentro de uma comunidade de regiões heterogéneas, o que por sua vez é fundadamental para garantir que a democracia não se transforma numa tirania da maioria. É o que os economistas chamam o direito de “votar com os pés”. Em terceiro lugar, não há qualquer sombra de evidência de que a Catalunha independente não adopte um regime demcorático. Por sua vez, um regime democrático numa comunidade homogénea, com língua e cultura comuns, pode aliás ser uma democracia bastante mais autêntica – novamente, por haver menos incentivos para que a maioria discrimine as suas minorias.

O terceiro argumento de que tenho conhecimento diz que os catalães até podem ter o direito de referendar a sua independência, mas que não têm boas razões para o fazer. Alegam que a vontade de auto-determinação de regiões europeias representa o recrudescer do nacionalismo, e que o nacionalismo é, intriscamente, xenófobo. Imagino que haja dois tipos de pessoas que defendam este argumento. O primeiro tipo é inteiramente contra a auto-determinação. Haverá também um segundo tipo que apoia o direito a referendar a independência, mas preferia que a permanência em Espanha ganhasse. Em relação ao primeiro tipo, o argumento parece-me ser uma variante do segundo argumento que apresentei acima. A ideia é de que a auto-determinação só devia ser aceite em determinadas circunstâncias (neste caso, quando é comandada pelas razões com as quais concordamos). Em qualquer caso, o argumento de que o nacionalismo tem de ser xenófobo é inteirante falacioso. O nacionalismo dos pequenos contra os grandes não é idêntico ao nacionalismo dos grandes contra os pequenos. É fácil uma analogia: o orgulho branco ou o orgulho heterosexual não são idênticos ao orgulho gay ou o orgulho negro, porque os primeiros representam o orgulho dos opressores, e o segundos o orgulho de resistência dos oprimidos num sistema que os prejudicou durante séculos. O nacionalismo das regiões pequenas pode ser um acto de resistência, e não um acto de opressão. É difícil imaginar exatamente em que termos é que uma Catalunha independente seria uma ameaça à Espanha – mas é fácil, e amplamente visível, concluir em que termos é que uma Espanha unificada à força é uma ameaça para a vontade da maioria dos catalães. 

* Michael Collins terá dito isto, durante as negociações com Londres para definir os termos da independência da Irlanda

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Criaturas metafísicas 79

Não há respostas. Não faço perguntas. É por isso.

as time goes by


  1. "Deixemo-nos de inconsequentes optimismos: sem a reestruturação da dívida pública não será possível libertar e canalizar recursos minimamente suficientes a favor do crescimento. "            --- Manifesto dos 74, Março de 2014.
  2. "Sem reestruturação da dívida, o Estado continuará enredado e tolhido na vã tentativa de resolver os problemas do défice orçamental e da dívida pública pela única via da austeridade."  --- Manifesto dos 74, Março de 2014.
  3. "Sem reestruturação da dívida (...) Subsistirá o desemprego a níveis inaceitáveis, agravar-se-á a precariedade do trabalho, desvitalizar-se-á o país em consequência da emigração de jovens qualificados, crescerão os elevados custos humanos da crise, multiplicar-se-ão as desigualdades, de tudo resultando considerável reforço dos riscos de instabilidade política e de conflitualidade social , com os inerentes custos para todos os portugueses."                                  --- Manifesto dos 74, Março de 2014.
  4. "os signatários argumentam que não há outras opções. A verdade é que há, a melhor opção é o Estado obter, numa primeira fase, saldos orçamentais primários positivos e, numa segunda fase, saldos orçamentais nulos. Juntando a isto algum crescimento económico e alguma inflação, mesmo que ténues, o nosso rácio de dívida pública entrará em rota descendente e sustentável."  --- Erros Manifestos, Março de 2014.
Para já, o bom senso, não é mais do que isso, prevaleceu. Mas a missa ainda vai no adro.

domingo, 17 de setembro de 2017

Livre 'to move forward’?

Tenho andado a rever na Netflix a série Mad Men e a reler A Mancha Humana de Philip Roth. Don Draper e Coleman Brutus Silk são duas personagens fascinantes. Draper talvez seja a personagem com maior densidade e complexidade de uma série de televisão, e que eu pensava que só era possível alcançar nos melhores romances. Com Silk, Philip Roth conta de forma genial uma história da América, sobre liberdade individual, racismo e muito mais (a mancha também se refere à do vestido de Monica Lewinsky).
    
Ambos queriam ser senhores do seu destino. Ambos representam a liberdade individual de perseguirem os seus sonhos sem ficarem reféns de uma qualquer ordem social ou racial pré-definida por convenções sociais. Ambos entendem que a sua origem social, no caso de Draper, e racial, no caso de Silk, é um obstáculo à realização dos seus sonhos nesta vida. Ambos mudam de identidade. Draper (de facto Dick Whitman) toma a identidade de um colega morto na Guerra da Coreia. Silk, um negro de olhos verdes e tez clara, que passa muitas vezes por branco, renega a família, casa com uma judia e identifica-se também como judeu. Draper e Silk conseguem os seus objectivos e tornam-se homens de sucesso nas suas profissões.

O lema de ambos é ‘move forward’ e muitas questões morais se colocam em relação às suas opções. Draper renega o irmão e este suicida-se. Silk renega a família, onde era muito amado, e parte o coração da mãe. O seu irmão mais velho viria a ser professor e o primeiro director negro de uma escola, e um activista dos direitos civis. Nunca perdoou Silk.

Draper e Silk apaixonam-se por mulheres loiras com ascendência nórdica. Impressiona a importância que os americanos continuam a dar aos seus antecedentes: negros, escandinavos nas diferentes variações, judeus, germânicos… Silk não revela a Steena Palson, de origem islandesa, sem nunca mentir, que é negro – como lhe disse o treinador de boxe, ‘se ninguém te fizer a pergunta, não tens de responder…’. Quando está suficientemente confiante no amor deles decide apresentá-la à família. No regresso a casa ela confessa-lhe que ‘não pode’ – os pais nunca aceitariam. A revelação da sua origem tirou-lhe o seu grande amor. Pouco tempo depois casaria com uma judia, com quem teria quatro filhos brancos (os deuses pareciam apoiar a sua decisão de se tornar branco) e assumiria a sua identidade de judeu até morrer, em 1998. No entanto, suprema ironia, uns anos antes tinha sido expulso da universidade, onde ensinou durante 40 anos e onde foi reitor, em resultado de uma acusação de racismo por duas alunas negras (que alguns atribuíram a antissemitismo…).

Também Draper decide nunca contar a Betty Hofstadt (uma espécie de ‘Grace Kelly’), de origem alemã, a sua verdadeira identidade. Porque sabia que ela nunca o aceitaria: filho de uma prostituta que morreu quando ele nasceu, criado na miséria pelo pai proxeneta e que mudou de identidade. O pai de Betty nunca o aceitou, por ser um homem sem família. Draper está constantemente a relembrar e a ser confrontado com o seu passado. Ele chegou onde não imaginava que pudesse chegar (nem sabia que era possível chegar). Tornou-se numa pessoa muito diferente, mas esse passado muito diferente continua a fazer parte dele. Às vezes só para marcar um caminho muito diferente a seguir. 

O toque de midas dos plagiadores

A primeira versão que eu conheci da "Mãe querida" era um pouco diferente e era cantada pelas ruas pelos estudantes da Universidade de Coimbra, ao ritmo da Orxestra Pitagórica: "Mão querida, mão querida / nunca me dizes que não / não há mulher nesta vida / melhor do que a minha mão."
Soube agora que o autor do original, "mãe querida" era Ricardo Landum. Os estudantes de Coimbra transformaram merda em ouro.
Mão querida, mão querida
Nunca me dizes que não
Não há mulher nesta vida
Melhor do que a minha mão
Feliz de quem não é maneta
Tem duas mãos para tocar corneta
Feliz de quem compreendeu
Que só uma mão é que dá prazer
Graças a Deus que eu tenho ainda
A minha mão para evitar a sida
Cinco dedinhos, pura magia
Que sensação ao acabar o dia
Mão querida, mão querida
Nunca me dizes que não
Não há mulher nesta vida
Melhor que a minha mão
Com a minha mão, posso fazer
Todos os dias se me apetecer
Corno eu não sou, nem vou ficar
Com a minha mão eu vou me casar
Juntos para sempre, até morrer
Levo para a cova para me entreter
Feliz de quem não é maneta
Tem duas mãos para tocar corneta
Mão querida, mão querida
Nunca me dizes que não
Não há mulher nesta vida
Melhor do que a minha mão

Uma condecoração justa

Não estará na altura de a Assembleia da República emitir uma nota de louvor à DBRS por altos serviços prestados à pátria? A nossa vida, hoje, seria muito pior sem a acção da DBRS.
Marcelo Rebelo e Sousa devia encomendar uma medalha para lhes dar.

Quando pessoas ligadas ao BE e à ala irresponsável do PS, como Galamba, Ferro Rodrigues, Francisco Louçã, com a companhia de alguns outros andavam a promover e a assinar manifestos a dizer que a dívida portuguesa não podia ser paga, a DBRS nunca deixou de acreditar em nós e na nossa vontade de pagar as dívidas.

Uma lata musical

Sobre os plágios de Tony Carreira e Ricardo Landum, quem me conhece sabe que não vejo grande drama no assunto. Não consigo perceber muito bem quem é que foi prejudicado, e não havendo vítima custa-me que haja crime. Há a questão moral, mas essa é uma questão diferente da penal. E não entendo por que anda o Ministério Público a gastar recursos com estas coisas.
Dito isto, ao ler a reportagem do Observador sobre o Tony Carreira, fiquei a saber que o Ricardo Landum ganhou contra Gusttavo Lima um processo em tribunal brasileira. Qual a acusação? Uso indevido de uma canção da sua autoria. Enfim... se a lata pagasse imposto, não havia défices.

sábado, 16 de setembro de 2017

Os ideialistas

Ora, bom fim-de-semana!

Decidi inventar uma palavra hoje e a minha palavra é "ideialista", que é um casamento entre "ideia" e "ideal". O que é um ideialista? É uma pessoa idealista que acha que, por ter ideias, todas elas obedecem a um ideal. Isto vem a propósito da proposta do Bloco de Esquerda de integrar o rendimento predial com os outros rendimentos para caçar mais impostos. No meu caso, eu acabaria por pagar menos impostos. Será que sou a única?

Quando alguém com assento no Parlamento decide fazer este tipo de propostas, eu gostaria que a Comunicação Social fizesse o seu dever e perguntasse ou investigasse algumas coisas pertinentes, como o número de pessoas afectadas, a sua situação financeira, quanto se estima que irá ser a receita de impostos da modificação proposta, etc.

Depois, ao mesmo tempo que o Bloco de Esquerda quer aumentar os impostos dos senhorios, o Governo anuncia que quer implementar um programa de arrendamento acessível, o Programa Reabilitar para Arrendar. Como é que isto é compatível exactamente? Parece-me que objectivo das duas coisas juntas é aumentar os impostos aos senhorios para que estes reabilitem prédios (será que os custos das obras são dedutíveis nos impostos?), mas baixem as rendas para pagar menos impostos.

Caros jornalistas, se vocês não têm capacidade para fazer perguntas e enquadrar a notícia no contexto actual, então não é preciso ninguém vos pagar porque não criaram valor nenhum. Afinal, ficaríamos igualmente servidos com um comunicado de imprensa dos "ideialistas" em questão.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

RIP Cassini

Hoje a Cassini disse adeus e autodestruiu-se...


Não percebi nada

"Catarina Martins entende que os ganhos com rendas de casa, ações e juros de contas a prazo também deviam ser tributados em sede de IRS para beneficiar a classe média.

O Bloco de Esquerda quer incluir rendimentos prediais e de capitais na tributação do IRS, abrangendo assim ganhos com rendas de casa, ações e juros de contas a prazo. A proposta está a ser negociada com o Governo, avançou a líder bloquista em entrevista à CMTV."


Fonte: Eco

Eu tenho rendimentos prediais em Portugal, declaro no IRS -- anexo F do Modelo 3 --, e pago imposto a uma taxa de 28% sobre esses rendimentos; já pago desde 2008, se a memória não me falha.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Uma arte

One art

The art of losing isn’t hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn’t hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother’s watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn’t hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn’t a disaster.

—Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan’t have lied. It’s evident
the art of losing’s not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.

~ Elizabeth Bishop

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Incompetência ou maluqueira?

É estranho que este caso da AutoEuropa se tenha tornado polarizante, mas é em Portugal e aí qualquer coisa serve. Há, no entanto, uma coisa que me diverte bastante, pois quem "defende" a posição dos trabalhadores da AutoEuropa diz uma coisa e faz outra.

Por exemplo, ontem no Prós e Contras discutiu-se o caso. O painel era constituído por pessoas que não trabalham um horário regular normal, aceitam participar em eventos profissionais fora do horário de expediente e sem compensação, ou seja, se fossemos a contar as horas que trabalham excederia as 40 horas por semana. E também trabalham aos fins-de-semana.

E é isto que eu acho engraçado: se trabalhar 40 horas por semana de Segunda a Sexta, durante o horário de expediente normal, é o ideal, porque é que estas pessoas que aparecem na TV, rádio, e escrevem nos jornais se sacrificam? Será que são incompetentes ou malucos?

domingo, 10 de setembro de 2017

O novo ano escolar


Desde o meu último post (Novidades na educação?) tenho acompanhado discretamente a evolução das decisões do Ministério sobre as alterações propostas, sem qualquer informação que não seja a que tem saído na comunicação social, a qual nem sempre prima quer pela objectividade quer pelo conhecimento fundamentado sobre o que analisa.

Ao aproximarmo-nos do inicio do ano escolar de 2017-2018 as notícias tornam-se mais explícitas. No Diário de Notícias de ontem um artigo de página inteira da autoria de Pedro Sousa Tavares tem como título “O ano em que um quinto das escolas reaprendem a ensinar”. No Expresso, também de hoje, Isabel Leiria intitula a sua prosa: “Sumário: Este ano vamos ensinar de forma diferente”.

Como sobreviver a Irma



  • Procurar abrigo num sítio interior da casa, como um armário de roupa -- o mesmo que para um tornado.
  • Afaste-se de janelas.
  • Certifique-se de que tem bons sapatos calçados -- durma com os sapatos calçados.
  • Se tem capacete meta-o na cabeça; faça o mesmo aos seus filhos.
  • Encha a banheira, baldes, tachos com água.
  • Se tiver botijas de gás, meta-as na garagem, mas não as leve para dentro de casa, nem as deixe na rua.
  • Tenha um machado, uma serra, ou um martelo para poder abrir o telhado, caso procure abrigo no sótão se a sua casa inundar -- com Harvey, a população foi desaconselhada a ir para o sótão; era preferível ir directamente para o telhado, mas não havia tanto vento como com Irma.