sexta-feira, 21 de abril de 2017

Um génio compreendido

Ibrahimovic vai abandonar o futebol depois da lesão do último jogo.
É uma pena. Por tudo. Não só pelo jogador que se perde, mas também pela personalidade. Gosto de pessoas arrogantes e convencidas. E este era-o nas doses certas, ou seja, descomunais. Tal como o seu talento.
"One thing is for sure, a World Cup without me is nothing to watch. -- Ibrahimovic, 2013.
"I was asked last summer who was the best, me or (Swedish ladies international) Lotta Schelin. You're kidding with me, right? You're joking with me. Do I have to answer that?They compare with me with the world's best footballers in Europe...with Messi and Ronaldo...and when I get home they compare me with women's football. What the hell, should I feel ashamed to come home?" -- Ibrahimovic, 2013.

“I'd already got the impression that Barcelona was a little like being back at Ajax, it was like being back at school. None of the lads acted like superstars, which was strange. The whole gang – they were like schoolboys. The best footballers in the world stood there with their heads bowed, and I didn't understand any of it. It was ridiculous." -- Ibrahimovic, 2015.
“On that list I would have been number one, two, three, four and five, with due respect to the others. Coming second is like finishing last.” -- Ibrahimovic, 2014, a pretexto de ter sido eleito o segundo melhor desportista sueco de sempre.

Felizes para sempre

Ao ler a peça do Pedro Brás Teixeira no Eco, ocorreu-me ir comparar o novo Programa Nacional de Reformas (PNR) com o anterior. O Pedro acha que o novo programa é bastante vago e eu subscrevo a opinião dele, mas achei que havia lá coisas engraçadas.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Q&U têm razão!


Imagem: daqui; Bill: aqui.

E fez-se luz

Às vezes, falam-nos de um artista a que ainda não prestámos atenção. E vamos ouvir uma ou outra música e achamos que aquilo é esquisito, mas, na verdade, não passa muito disso. Mas, como vai aparecendo muitas vezes nas conversas com amigos, certos amigos, lá vamos insistindo. E, de tantos em tantos meses, lá vamos ouvindo uma canção.
E ao fim já de alguns anos, tudo faz sentido e deixa de ser esquisito. O tipo é original e mesmo bom e não se consegue deixar de o ouvir, como se quiséssemos perceber o que se tem perdido.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

22 anos

Comemora-se hoje o vigésimo-segundo aniversário do atentado à bomba de Oklahoma City. De um dia para o outro, muita gente em Portugal ficou a saber que Oklahoma existia e muitos amigos, quando eu lhes dizia que ia estudar para lá em Agosto de 1995, avisavam-me que era um sítio onde havia atentados bombistas. Atentados bombistas pode haver em qualquer lado. Lembro-me perfeitamente de ver o Telejornal e darem notícias de atentados à bomba em Espanha por causa da ETA, no Reino Unido por causa do IRA, ou seja, cresci a ver notícias de atentados à bomba, para não falar dos sequestros de aviões e outras calamidades não-naturais.

No local do edifício bombeado, ergueu-se um monumento às vítimas que pereceram, às que sobreviveram, e a todas as pessoas que ficaram para sempre transformadas por esta tragédia. O monumento está repleto de símbolos, como os portões do tempo: um com a hora 9:01, um minuto antes da bomba e que representa uma época de inocência da cidade; outro com a hora 9:03, o minuto depois da bomba, que representa não só um mundo transformado, mas também o início da esperança. A "Survivor Tree", um olmo que sobreviveu ao atentado, é outro símbolo, este de esperança e resiliência; no aniversário do atentado, árvores bebé descendentes deste olmo são oferecidas, havendo várias centenas plantadas nos EUA.

Talvez o sítio mais emotivo seja o campo de 168 cadeiras vazias, cada uma inscrita com o nome de alguém que faleceu. As cadeiras mais pequenas são as das crianças, pois no edifício havia um infantário.

April 19, 1995. #weremember #okcnm

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Nota: A árvore mais à direita é a "Survivor Tree"

Que lindo!

Ontem deu-me na telha e fui à J. Crew. Ando a pensar ser como os minimalistas, logo fui comprar mais roupa porque os três armários cheios que tenho são insuficientes para as minhas necessidades. Não é contradição! É que a minha roupa é tipo Energizer bunny e dura, dura... Tenho de fazer uma avaliação e desfazer-me das peças que já não valem a pena -- vou dar a uma loja de caridade.

Ah, mas não era nada disto que eu vos queria dizer. Fui à J. Crew e a montra falava em tecidos portugueses!


Sem apelo nem agravo

O poder tirânico é definido como um poder arbitrário e significava originalmente que o governo não tinha de prestar quaisquer contas. Ainda que seguindo por um caminho diferente, a burocracia chega ao mesmo resultado. Em vez das decisões arbitrárias do tirano, deparamo-nos com procedimentos universais estabelecidos ao acaso, mas contra os quais também não há apelo. Segundo Hannah Arendt, do ponto de vista dos súbditos, a rede de normas em que se encontram presos é muito mais perigosa e mortal do que a simples tirania arbitrária.

País das cavernas

Há uns tempos, estava eu e o meu colega Miguel Portela a analisar uns dados sobre o Mercado de Trabalho em Portugal para perceber melhor a origem das desigualdades salariais entre homens e mulheres, quando nos apercebemos que dentro de alguns sectores sujeitos a contrato colectivo de trabalho, para a mesma categoria profissional, os homens ganhavam mais do que as mulheres. Estranhámos: como era possível que essa desigualdade não violasse o contrato colectivo? Com certeza que nenhum sindicato aceitaria isso. A nossa intuição dizia-nos que os dados tinham de estar errados.

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terça-feira, 18 de abril de 2017

O poder da exclamação!

"Little Un, if you think this American president is stable like his predecessors, I refer you to his Twitter account. He has sent 13,321 tweets with exclamation points, 864 tweets with two exclamation points, 432 with three, 146 with four and 57 with five (the last one, in August: “#WheresHillary? Sleeping!!!!!”). Trump’s single greatest exclamation in recent years — 15 points — was in 2014: “This cannot be the the [sic] Academy Awards #Oscars AWFUL!!!!!!!!!!!!!!!”

Now he’s turning his punctuation on you. Until the past couple of years, the extent of his public commentary on your country was to say he wouldn’t go. “Dennis Rodman was either drunk or on drugs (delusional) when he said I wanted to go to North Korea with him. Glad I fired him on Apprentice!” he tweeted in 2014.

But this time Trump is in a position to fire missiles, not the former Chicago Bulls forward. And he has been treating the crisis with the gravity we’ve come to expect from him. At the White House Easter Egg Roll, where he was joined by the Easter Bunny, Trump said North Korea “gotta behave” and, if not, “you’ll see.” There is still a chance that his advisers will talk him down. The most sensible one is Defense Secretary Jim Mattis. His nickname: “Mad Dog.”"


Dana Milbank, The Washington Post

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Justificação fraca

Numa das nossas saídas a propósito do festival de comédia francesa que foi exibido no MFAH, fui pela primeira vez a casa da JB, que se mudou recentemente para um apartamento. Uma das paredes da sala está inteiramente ocupada por estantes cheias de livros, muitos dos quais de culinária. Pensava eu que tinha bastantes livros de cozinha -- tenho mais de 100 --, mas a minha colecção está bem aquém da da JB. Temos poucos livros em comum, mas fiquei espantada  por um deles ser sobre comida dinamarquesa: a JB comprou o dela em Copenhaga; eu comprei o meu provavelmente em Fayetteville, AR. Nenhuma de nós tinha cozinhado nada do livro, logo sugeri fazermos um jantar com receitas da Dinamarca, dado que já tínhamos feito um com o tema da Irlanda. 

Acabei por não usar esse livro para a minha receita, preferindo selecionar uma do meu livro sobre hygge, que terminei de ler na semana passada. Escolhi almôndegas com molho de caril -- o Meik diz que aquilo é popular na Dinamarca. Se calhar, foi um pouco precipitado escolher uma receita de um fulano que não é profissional de cozinha, visto ele recomendar 2 Kg de carne picada para quatro pessoas. Ou talvez eu, que mal meço metro e meio, não perceba muito bem as necessidades calóricas dos altarrões da Dinamarca. Só fiz um Kg e, mesmo assim, demorou-me bem mais de duas horas, quando o autor dizia que levaria pouco mais de hora e meia. 

Faltava 20 minutos para a JP me vir buscar para o jantar quando entrei no duche e, apesar de ter sido rápida, ainda estava de toalha na cabeça e meia despida quando ela bateu à porta. Disse-lhe que estava atrasada e ela foi fazer tempo com os vizinhos do outro lado da rua, que lhe mostraram um vídeo do filho. A JP disse-lhes que estava à minha espera para irmos a um potluck de mulheres Democratas (isto é um grupo de mulheres que foi à Marcha das Mulheres, mais duas senhoras que não marcharam porque já têm idade avançada: 87 e 92). 

O vizinho era Republicano e disse que votou Trump porque tinha medo que lhe tirassem as armas: ele é caçador. Entretanto, saio porta fora e a JP afastou-se deles, mas ainda ouviu a esposa do vizinho dizer-lhe que era uma justificação muito fraca para votar num idiota. 

A salada de pepino com aneto estava mesmo boa. A sobremesa foi feita pela JP e ela levou uns puzzles muito giros para nós fazermos antes de comer o bolo. As peças estavam dentro de uns ovos de plástico grandes, por sua vez guardados numa embalagem de cartão de ovos, como as que compramos no super-mercado. Os puzzles tinham todos imagens de pratos de ovos, mas eram um pouco difíceis porque não tinham fotos de referência e tinham contornos irregulares: uns tinham colheres a sair do prato, outros tinham a asa da frigideira, etc. Não terminei o meu porque faltava uma peça, mas mesmo assim serviram-me sobremesa. Aqui está a prova...



sábado, 15 de abril de 2017

Ex-FCP

Este post não é enquanto adepto do Braga, mas sim como adepto do Benfica e é sobre o FCPorto.
Como qualquer pessoa com 40 anos, habituei-me a temer o Porto. Ao longo dos últimos 30 anos, fosse com que equipa fosse, o Porto não entrava em campo a pensar no mal menor.

Isto para dizer que se o FCPorto perder o campeonato perdeu-o na semana passada na Luz. O FCPorto ir à Luz com menos um ponto e ficar satisfeito com um empate não é o Porto. O FCPorto que me habituei a respeitar, depois de recuperar da desvantagem na Luz logo no início da 2ª parte e quando estava por cima do jogo, não descansava enquanto não marcasse mais um golo. Não quando tinha um ponto de desvantagem.
A alegria dos jogadores do Porto no fim do jogo com o SLBenfica é uma afronta ao Porto. Se perderem o campeonato este ano, merecem perdê-lo pela satisfação que tiveram com esse empate.

(Se vierem a ganhar o campeonato, tudo bem, não há vencedores injustos, mas espero que para o ano a atitude competitiva seja melhor.)

sexta-feira, 14 de abril de 2017

A insensibilidade* do outro António

How insensitive
I must have seemed
When she told me that she loved me To refuse to kneel to all of them
How unmoved and cold
I must have seemed
When she told me so sincerely To ignore he's a paraplegic, so completely

Why she you must have asked
Did I just turn and stare in icy silence speak something oh so stupid
What was I to say,
What can you say,
When a love affair is overWhen one might be of no honor

Now she's gone away I feel no shame
And I'm not alone
With a memory of her last look Everyone I know is a crook
Vague and drawn and sad So inept at math
I see it still I often doubt
All her heartbreak in that last look They could even read a book
How she you must have asked
Could I just turn and stare in icy silence still govern amid such ignorance?
What was I to do?
What can one do,
When a love affair is over When I'm supported with such fervor?

* Ou será insensatez?


Perder tempo

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Um exemplo a seguir...

O comunista João Oliveira acha que o Equador é um país cujo exemplo Portugal deve seguir. Fui então à Wikipédia informar-me do exemplo a seguir e de como o Presidente do Equador, Rafael Correa, gere o país:

"Taking office in January 2007, he sought to move away from Ecuador's neoliberal economic model by reducing the influence of the World Bank and International Monetary Fund. He declared Ecuador's national debt illegitimate and announced that the country would default on over $3 billion worth of bonds; he pledged to fight creditors in international courts and succeeded in reducing the price of outstanding bonds by more than 60%.[1] He oversaw the introduction of a new constitution, and was re-elected in 2009. Correa was re-elected in the 2013 general election. Ecuador was able to achieve political stability.

During Correa's presidency, he was part of the wider Latin American pink tide, a turn toward leftist governments in the region, allying himself with Hugo Chávez's Venezuela and brought Ecuador into the Bolivarian Alliance for the Americas in June 2009.[2] Using populist policies and its own form of 21st century socialism that was less radical than in Venezuela, Correa’s administration increased government spending, initially reducing poverty, raising the minimum wage and increasing the standard of living in Ecuador until 2014.[2][3][4] By the end of Correa's tenure, reliance on oil, overspending and earthquake caused Ecuador's economy to enter a recession, resulting in government spending being slashed, the layoff of thousands of public workers, as well as predictions by analysts stating that Ecuador would be left with further economic difficulties.[2][3][4][5] Eventually, some Ecuadorians had also grown disenchanted with corruption, as well as Correa's confrontational behavior with media organizations.[2][5] However, according to Transparency International, corruption decreased under Correa's government.[6]

Between 2006 and 2016, poverty decreased from 36.7% to 22.5% and annual per capita GDP growth was 1.5 percent (as compared to 0.6 percent over the prior two decades). At the same time, inequalities, as measured by the Gini index, decreased from 0.55 to 0.47."[7]

Fonte: Wikipedia

Grande exemplo: têm petróleo e moeda própria, mas conseguem ser mais corruptos, mais pobres, e com mais desigualdades sociais do que Portugal e o Presidente deles já está no poder desde 2007. Eu pensava que se devia escolher exemplos a seguir que fossem melhores do que o nosso. Afinal, o exemplo a seguir é pior. Viva a mediocridade!

Novidades na educação?

Não me tenho sentido muito bem por causa das longas ausências na DD. Afinal, fui eu que sugeri, ao iniciar a minha colaboração, que se adicionasse o tema Educação aos que já figuravam no cabeçalho – o mais interessante dos quais era (e é) “Laser Alexandrite”. Ora a verdade é que tenho falhado completamente no que pensei poder ser a minha contribuição no campo de actividade que foi, e é, o meu.

Deixando de lado possíveis razões para a parca assiduidade, relevarei hoje um tema que tem sido aflorado nos últimos tempos e que se insere na política de reversão de medidas tomadas em governos anteriores e que foi anunciada como “flexibilização curricular”.