terça-feira, 31 de maio de 2016

Vantagens da burca

Terminei de ler, este fim de semana, "O Jardim Perfumado" traduzido e publicado por Sir Richard Burton em 1886 (estou a escrever uns posts sobre isso, mas também tenho de ler a versão de Jim Colville -- encomendei na Amazon ontem), que é um texto árabe com instruções para os maridos. No capítulo 11 há uma história que me fez pensar que a burca pode dar muito jeito. Aqui está a história da Bahia (Ah, a Bahia a perguntar se o amigo do amante é inteligente é muito bom!):

Momento bipolar

"Mário Centeno garante que o governo está a trabalhar “com grande afinco” na consolidação das contas públicas e pede “paciência” e “tempo” para que “as reformas estruturais feitas nos últimos anos se materializem”, o que ajudará a acelerar o crescimento e a redução da dívida."

Fonte: Observador

Expliquem-me lá o que pensar deste governo. António Costa teve um fanico quando perdeu as eleições e, para formar governo, pseudo-coligou-se com dois partidos que são absolutamente contra as reformas que foram implementadas pelo governo PSD-CDS. Passámos os últimos meses a reverter medidas do governo anterior e esse parece continuar a ser o caminho futuro para que a pseudo-coligação sobreviva. Agora, Mário Centeno anuncia que as reformas anteriores irão produzir efeitos?!? Surgem na minha cabeça duas conclusões:

  • Este governo não tem legitimidade, pois toda a sua plataforma assenta em virar a página das políticas seguidas pelo governo anterior, que dizem ter sido erradas;
  • Se a paciência é comprada com as reformas do governo PSD/CDS, então o governo actual admite que a sua política actual não surte efeito nenhum.

O futuro próximo de Portugal vai ser assim: vão esgotar a boa vontade da União Europeia e do BCE e depois, quando as taxas de juro mundiais começarem a aumentar -- e as da dívida portuguesa já estão --, vão olhar para esta altura e concluir que desperdiçaram mais uma oportunidade. Quantas mais oportunidades pode o país dar-se ao luxo de desperdiçar?

A homogeneidade já não é o que era

The Motley Fool tem um artigo fantástico acerca da crescente heterogeneidade da economia e sociedade americanas, o que ajuda a compreender a tendência recente para o extremismo e a desertificação do centro. A conclusão é brilhante:
Investors and economists like to argue over who's right. Keynesians vs. Austrians, bulls vs. bears. The more I dig into these debates, the more I see that people aren't actually debating the same topic; they're just trying to get the other side to see their own version of reality, and become frustrated and insulted when the other side can't or doesn't.

We all do this to some extent. It drives home that a vital skill of anyone trying to make sense of the economy is realizing that everyone has a point of view, and none of them are complete.

Fonte: The Motley Fool

Conduzir em Houston

No outro dia, fiz um vídeo de parte da minha comuta diária para o trabalho. É uma porção da Bissonet St. que está mesmo ao lado de West University e WestU é o quarto código postal mais caro dos EUA. Prestem atenção ao pavimento; a faixa da direita é pior do que a da esquerda. O meu carro, com 17 anos, já precisa de ir à oficina outra vez. Se eu não tivesse cães, desistia de ter carro e andava só de autocarro e Uber. Aliás, se eu vivesse em Portugal, não teria carro -- imaginem a quantidade de livros que eu poderia ler a andar de autocarro!

História gótica

72. E se pudessem dar um passo atrás e olhar para as suas próprias deambulações de sala em sala, de corredor em corredor, Groesken, Valodu e Ada veriam que o labirinto tinha a forma de um cérebro dentro de uma cabeça, ou de

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Se eu fosse o José Cid...

... estaria, no mínimo, preocupado.

Fonte: INE, Estatísticas da Justiça


Poder de mercado

Esta semana deu-me para cozinhar bastante e, como tal, decidi oferecer algumas refeições à minha vizinha J. Numa das minhas visitas de entrega, encontrei a Groupie do Lobo Antunes (GLA), que tinha acabado de jantar com a J. Começámos a falar de arte e a GLA foi professora de arte no Museu de Belas Artes, há várias décadas. Até recentemente, a escola de arte chamava-se Glassell, em honra do milionário que tinha feito a doação para a sua construção, mas o complexo do Museu de Belas Artes vai ser modificado e o edifício Glassell foi demolido para dar lugar a outro edifício que fará parte do novo campus.

O projecto de renovação do campus terá um custo de $450 milhões e o nome de Fayez Sarofim, que doou $70 milhões. O Sr. Sarofim é apenas um dos homens mais ricos de Houston e dos EUA e, como devem calcular, é um grande apreciador de arte. Também é um grande apreciador de charutos, que fuma copiosamente ao pé das grandes obras de arte que decoram o edifício onde trabalha -- até os cubículos têm obras de arte, não vão os assistentes ter um mau dia por falta de inspiração -- e a sua casa, mas quando se é o dono de Picassos, Motherwells, Rauschenbergs, de Koonings, etc. pode-se fazer o que muito bem se entender. Uma obra de arte num museu de entrada livre é um bem público; mas na casa de alguém é um bem privado.

O Sr. Sarofim faz parte do top dos 200 maiores colecionadores de arte do mundo e, obviamente, em Houston, o seu nome é conhecido por toda a gente que trabalha nos museus -- até os caixas do parque de estacionamento o "conhecem". A GLA tem a sorte de ter um sobrenome parecido com o do bilionário e relatava ela que, numa das sua idas ao museu, houve qualquer confusão com o seu cartão de membro e o preço de estacionamento não incluía o desconto. Ao falar com o caixa, este perguntou-lhe o nome e, quando recebeu a resposta, o rapaz entrou em pânico, pediu imensa desculpa, e abriu-lhe o portão sem que ela tivesse de pagar por estacionar. Pensava ele que ela pertencia à família de Sarofim, o que lhe concederia poder de mercado. Um Sarofim no mercado não é o mesmo que um Smith, por exemplo. O Smith teria de esperar que a confusão se clarificasse para que o desconto lhe fosse concedido.

Quando se tem poder de mercado, o mercado verga em nosso favor. Na questão do "custo" do ensino privado e do ensino público, as questões de poder de mercado são essenciais. É por os sindicatos de professores terem poder de mercado que os professores do público ganham, em média, mais do que os do privado. Mas qual é o poder de mercado do estado quando negoceia um contrato de associação? Será que o preço por turma é ditado pelo colégio privado, o que acontece quando uma família anónima compra a educação do seu filho no colégio, ou é ultimamente determinado pelo estado? Se é determinado pelo estado, então não é representativo do verdadeiro custo para o colégio, pois o preço inclui a pressão do poder de mercado do estado.

Um modelo económico esgotado

No Blogue da Fundação Francisco Manuel dos Santos os autores de Crise e Castigo procuram responder a uma questão colocada por alguns leitores (incluindo um comentador habitual da Destreza, Isidro Dias):
afinal o modelo seguido nos anos 80 e 90 foi ou não um bom modelo?

Pequenas diferenças

Este fim-de-semana fui três vezes ao supermercado (a três supermercados diferentes: Continente, LIDL e El Corte Inglés) e das três vezes encontrei os pedidos do Banco Alimentar (tendo contribuído apenas da primeira vez).

Houve uma coisa que me chamou a atenção no primeiro supermercado e que pude confirmar nos outros dois. Não havia homens. Só mulheres e crianças. E, entre as crianças, eram todas meninas. Só houve um caso em que fiquei na dúvida se seria rapaz ou rapariga.

Ou seja, e pelo que pude ver, não só as mulheres participam mais nestas actividades, como ainda levam as filhas. Já os filhos estão dispensados.

Curiosidades de Barcelona


Para desanuviar o ambiente decidi dar a conhecer algumas curiosidades que trouxe da minha recente visita a Barcelona e que, ao arquivar a documentação trazida, achei interessante partilhar neste blog.

Português Swag



O Presidente da República e o ministro dos Negócios Estrangeiros estão em Berlim, e ontem tiveram um encontro com alguns elementos da comunidade portuguesa. Também me convidaram (pois: por estas e por outras é que este país...), de modo que me disfarcei de senhora, e fui.
Marcelo Rebelo de Sousa discursou sem papel e sem se perder em banalidades de ocasião. Mencionou todos os grupos activos da comunidade portuguesa em Berlim - de cor, sem gaguejar, sem esquecer nenhum (bem diferente de um maestro que vi há dias na Filarmonia a fazer um pequeno discurso e a hesitar na parte em que queria dizer o nome da cidade). Depois falou com cada um dos presentes, realmente interessado no que lhe diziam. Contei-lhe sobre as novas perspectivas para o Cinemagosto, respondeu com algumas sugestões.
Por sua vez, o ministro ia ficando sem jantar por estar inteiramente imerso na conversa com os investigadores da associação ASPPA.
O embaixador João Mira Gomes e a embaixatriz/embaixadora Graça Mira Gomes conseguiram criar um ambiente tão informal quanto elegante, sempre bem-dispostos e atentos a tudo - até a chamar as cozinheiras para receberem o nosso aplauso de gratidão e falarem ao Presidente. Uma delicadeza.

Para mim, foi uma noite muito proveitosa: além de matar saudades de um bacalhau como deve ser, pude falar com várias pessoas fundamentais para a nova associação cultural que estamos a criar.

Mas o melhor de tudo, de longe o melhor de tudo, foi ter passado umas horas a assistir a um Portugal renovado e cheio de swag. Meu rico país!

["swag" no sentido alemão da palavra: uma aura invejável de descontracção e confiança, própria de quem está de bem consigo e com o mundo]

[como se não bastasse termos o problema de as palavras portuguesas mudarem de significado quando chegam ao lado de lá do Atlântico, agora temos palavras inglesas com sentidos diferentes conforme o país onde são ditas - tradutor sofre!]



(roubei as fotos no facebook da Helena Ferro de Gouveia)



Moo...

Já tenho as espigas de milho, que vieram no meu saco de hortaliça da quinta, preparadas para o jantar -- só falta a manteiga, o sal e a pimenta. Que tal acham as minhas pegas? As redondas são de louça, as vaquinhas são de plástico. Não gosto muito de plástico, mas como resistir a estas vaquinhas? Que se lixe o ambiente! Moo...

P.S. O prato é português, duh!


Um conjunto de contradições.

José Rodrigues dos Santos voltou à carga: “o fascismo é um movimento de origem marxista”, insiste ele no Público. A origem do fascismo estaria nas ideias do “marxista” francês Georges Sorel (1847-1922) que publicou, em 1908, um livro muito influente intitulado Refléxions sur la violence. Como a revolução do proletariado profetizada por Marx e Engels nunca mais via a luz do dia, a impaciência começou a instalar-se no seio dos marxistas logo no final do século XIX (vejam bem a paciência dos comunistas portugueses, que ainda não desistiram da ideia). Sorel achou que era melhor não esperar sentado e defendeu que se passasse à acção. Uma elite ilustrada guiaria o proletariado e, juntos, antecipariam o fim do capitalismo à mocada. Lenine leu o livro e daí lhe veio a ideia de uma “vanguarda”. Mussolini também o leu e daí o seu fascínio pela violência das massas. E, se bem entendi, Georges Sorel é a origem comum dos dois movimentos: bolchevismo e fascismo. Há, sem dúvida, muitas coincidências e sobreposições nestas duas histórias de violência, que abalaram a Europa e o mundo. E Rodrigues dos Santos tem razão: o socialismo não foi parar por acaso ao "nacional-socialismo" alemão: os nazis estavam, por exemplo, a lançar um Estado providência.

domingo, 29 de maio de 2016

porque hoje é domingo: história mirabolante de uma miúda que quer inventar um foguetão

Do Humans of New York:


"I'm going to build a rocket ship out of a trash can and some wood and a bubble that never pops, and then I'm going to test it out to see if it goes somewhere, and if it goes somewhere, I'll go to outer space and see things that people never even saw before."

Resposta da NASA, no facebook:

NASA - National Aeronautics and Space Administration You're just about the right age to be on one of the first human missions on our Journey to Mars! We're building NASA's Space Launch System rocket and NASA’s Orion Spacecraft right now, but we're going to need innovators like you to develop new technologies people haven't even thought of yet to get there. Keep experimenting, keep testing, keep dreaming, and keep looking up!


sábado, 28 de maio de 2016