domingo, 25 de setembro de 2016

Clinton vs. Trump: Primeira Ronda

Caros leitores,
Hoje estou no Observador a falar do debate entre Hillary Clinton e Donald Trump que se realizará na Terça-feira, às duas da manhã de Lisboa. Podem ler aqui.

(E obrigada ao LA-C por me ajudar com o meu português. É bom ter quem nos ajude.)

Três vídeos...

Um homem negro foi morto em Charleston, Carolina do Norte, pela polícia. O homem estava dentro do seu carro, parado no parque de estacionamento do complexo de apartamentos onde morava. A polícia estava lá à procura de outra pessoa e quando o viram no carro, pediram-lhe para sair. A vítima tinha sete filhos e tinha sofrido um acidente traumático cerebral por causa do qual estava sob medicação quando morreu. Não se sabe exactamente o que aconteceu porque nenhum dos vídeos é claro. A polícia diz que ele estava armado, mas a esposa diz que não. O vídeo da polícia não foi imediatamente divulgado porque, supostamente, iria afectar a investigação. A falta de informação e a percepção de que a polícia estava a esconder algo contribuiu para que houvesse manifestações violentas na cidade. Ontem o The New York Times divulgou o vídeo que a esposa da vítima tinha filmado; hoje a polícia decidiu divulgar os dois vídeos que tinha.

Em Tulsa, Oklahoma, outro homem negro foi alvejado e morto pela polícia no dia 19, Sexta-feira, neste caso por uma mulher polícia, o que é raro, mas a polícia decidiu divulgar o vídeo imediatamente na Segunda-feira, o chefe de polícia avisou que o vídeo era chocante, e a agente que disparou foi prontamente suspensa sem vencimento, acusada de "manslaughter", e detida, estando neste momento fora da prisão sob fiança. Talvez por a polícia ter tido uma atitude diferente, não houve confrontações violentas imediatas na cidade, e só agora é que o caso está a ter projecção nacional. Há marchas e manifestações de solidariedade para com a vítima, mas por enquanto são pacíficas. Tulsa é a segunda maior cidade de Oklahoma e é considerada bastante liberal para Oklahoma.

sábado, 24 de setembro de 2016

Com tempo tudo se aprende

José Sócrates de 2016 considera a concentração de poder em instituições do Estado um perigo para a liberdade dos cidadãos.
José Sócrates de 2008 considerou fundamental criar o cargo de secretário-geral do Sistema de Segurança Interna para a a segurança dos cidadãos.
José Sócrates de 2005 considerou fundamental criar a ASAE para a protecção dos cidadãos.
Em vez de Lyotard, tivesse lido Orwell.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Mulheres determinadas

A história da rapariga que precisava de um sorriso e de alguma orientação, que teve a boa sorte de encontrar uma outra mulher que a conseguiu ajudar, revela acima de tudo a capacidade e auto-determinação das mulheres. Esta semana no programa de rádio Texas Standard, mencionaram um outro exemplo do esforço delas: Galveston não tem uma piscina municipal e muitas pessoas achavam que era um desperdício de dinheiro fazer uma.

Um grupo de mulheres achou que não e incomodou gente suficiente até conseguir os fundos iniciais para o projecto. Barbara Sanderson, a directora do Parks and Recreation Department, de Galveston, descreve-as assim:

“I guess you call them my pool ladies – and they were determined and went to the [Industrial Development Corporation] board and received about $250,000 in seed money to get some plans drawn”

~ Barbara Sanderson, entrevistada no Texas Standard

O projecto vai custar $4,5 milhões e o resto do dinheiro foi conseguido através de doações de privados e fundações e de actividades de angariação de fundos. De notar que um antigo CEO da Delta Airlines é residente na ilha e doou, juntamente com a sua esposa, $1 milhão.

Morde a vida!

Ó pessoas, não fiquem aí especadas a olhar para o novo sorriso desta moça, que foi oferta do Dr. Miguel Stanley, na White Clinic. Contactem a Patrícia Motta Veiga e façam um donativo para ajudar a dona do sorriso a pagar as contas até receber o primeiro salário. Eu, que estou do outro lado do mundo, já contribuí, logo que desculpa têm vós? Ah, quem disse que a sociedade civil portuguesa não era organizada?



Amadorismo vs. Desespero

O MAL n'O Insurgente sugere que o gráfico que o PS apresentou, no qual esticou o eixo vertical, é sinal de amadorismo. Vou discordar do MAL, mas, antes que me declarem guerra outra vez, vou dizer que até gosto do moço, só que está na minha natureza discordar de muita gente (e tenho de falar no MAL porque foi a única referência fácil que encontrei para o gráfico). Eu não acho que seja amadorismo o que fizeram ao gráfico porque revela que a pessoa que o fez tinha conhecimentos suficientes de Excel para distorcer a informação de modo a melhorar a aparência da coisa.

O que é revelado neste gráfico é o nível de desespero de quem nos governa -- já atiraram com a toalha à parede. Até aqui, havia alguma calma, asseguravam-nos de que a mudança de política ia eventualmente ter um efeito positivo na economia e que era uma questão de se esperar para se colher os frutos. Com este gráfico, há uma admissão de que não vale a pena esperar porque as coisas não vão ficar muito melhores do que isto, logo o melhor é mesmo distorcer a informação.

8 de Novembro: encontro marcado


Não tem dentes...

In "Coffee Cookery", Helmut Ripperger, 1940

Um sorriso pode ser uma solução

Uma coisa que já é óbvia é que os nossos governantes não têm estratégia nenhuma para o país e, pior do que não ter estratégia, é que eles não têm ideia nenhuma de como melhorar a vida das pessoas efectivamente. Só conseguem pensar em termos de manipulação de impostos e subsídios, com umas proibições pelo meio. Normalmente, nem sabem quem é afectado, como, e que valores estão envolvidos: têm uma ideia, implementam-na, se o povo deixar, e depois é que vêem se aquilo funcionou ou se ainda fez a situação pior do que o que estava. Há tanta coisa que poderia ser feita com um bocadinho de imaginação e vontade, mas a realidade é por vezes um bicho de sete cabeças.

A realidade morde, especialmente a quem não tem dentes ou os tem em mau estado. Quem tem dentes em pior estado são as camadas mais pobres da população e é um ciclo vicioso: por serem pobres não gastam tanto dinheiro na manutenção dos seus dentes e depois, quando ficam com os dentes em mau estado, acabam por ter outras consequências a nível de auto-confiança e perspectivas de emprego, o que reforça o ciclo de pobreza onde se encontram. Ainda é pior do que isso porque, no longo prazo, ter maus dentes também aumenta a probabilidade que se desenvolva outros tipos de doenças, logo acabam por ficar mais doentes, o que pode reduzir a sua produtividade, e aumenta as despesas do estado com os cuidados de saúde dessas pessoas.

Eu gostaria de ver, em Portugal, um programa a nível nacional que promovesse a saúde dentária e a aparência cosmética das bocas das pessoas mais pobres da população -- que tal uma organização não lucrativa*? (Façam um reality show, pelo menos, em vez de andar a discutir o Arquitecto Saraiva e o casal Brangelina.) Acho que isso iria ter consequências palpáveis. Imaginem alguém ir a uma entrevista de emprego com um sorriso confiante versus alguém que tem vergonha de sorrir. Não precisam de imaginar -- a Patricia Motta Veiga** descreve no seu mural no Facebook a diferença que um sorriso faz para uma mulher. E notem que esta mulher que precisava de um sorriso foi acompanhada pela Segurança Social e a proposta de solução que lhe fizeram foi meter o filho numa instituição para ela ter menos um encargo.



* Já tenho nomes:
-- Morde a vida
-- Sorri e vence
-- Portugal a sorrir

** Dava para financiar um projecto para clonar a Patricia Motta Veiga? Aposto que os clones fariam maravilhas a trabalhar na Segurança Social portuguesa...

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Um imperativo!

Não sei se leram a op-ed da Leonor Modesto no Observador. É muito importante pensar nestas coisas, mas eu tenho a impressão de que os nossos líderes são alérgicos a pensar ou talvez ter de memorizar o nome de todo o pessoal a quem podemos pedir favores é muito exigente e requer muita capacidade cerebral, deixando pouco para o resto. Por exemplo, quando os socialistas pensam em especialista de globalização, o nome José Sócrates ilumina-se. Eu sei, é mesmo um WTF colorido que nos passa na cabeça quando pensamos nesta associação.

Mas regressando ao cerne da questão: o envelhecimento e a inovação. Para mim isto é ainda mais importante. É que, estatisticamente falando, eu só tenho mais meio ano para ser inovadora. Depois dos 45, normalmente a coisa começa a cair. Mas juro-vos que eu vou contrariar a genética ou morrer tentando. Tenho de continuar a ser maluca e inovadora. Hoje de manhã, por exemplo, estava a fantasiar com revoluções partidárias. Se eu fosse jovem -- em termos de anos, meninos, porque em mentalidade eu sou a irmã perdida do Benjamin Button -- e estivesse inscrita na Universidade do PS, quando aparecesse o Sócrates à frente, eu levantaria o meu cartaz que diria: "We don't need no education!" E sairia porta fora. Até era capaz de emigrar -- outra vez!


Pronto, já percebi

No passado fim-de-semana, numa conferência socialista, Mariana Mortágua abriu o painel sobre a Esquerda e as desigualdades. Com a frase “Temos de perder a vergonha e ir buscar a quem está a acumular dinheiro”, a sua intervenção rapidamente subiu ao top 10 dos assuntos "facebookianos" e "twitteiros" (suspeito mesmo que foi por isso que Angelina Jolie e Brad Pitt decidiram separar-se, para rivalizar em popularidade com Mariana Mortágua). No artigo de ontem, o Luís (Aguiar-Conraria), se bem o percebi, não estranhou a proposta bloquista, mas surpreendeu-se com o acolhimento aplaudidor que teve no PS. Eu também fiquei um pouco admirada, confesso.
Mas ontem, eis que se fez luz! Percebi que provavelmente aquelas palmas foram batidas apenas ao começo da frase, "Temos de perder a vergonha". O apelo foi feito já no fim do discurso, portanto é natural que a capacidade de concentração já não permitisse que se ouvissem todas as palavras. De resto, é uma coisa não inédita entre socialistas, que, quando foi da resposta prescrita à crise financeira de 2008, leram apenas a parte em que falava de políticas de estímulo, sem reparar que era só para os países que tivessem folga orçamental que o permitisse. Animado pelas palavras de Mariana Mortágua, o PS lá ligou para a São Caetano à Lapa e entendeu-se quanto ao fim dos cortes nas subvenções aos partidos. Agora faz sentido.

Investimento

Comprar casas não é investimento, a não ser que seja o fundo da segurança social a comprar para alugar a baixo custo. -- João Miranda no twitter.

Frases famosas 63

Morri.

Aquela máquina...

A máquina do Obama está a trabalhar a todo o vapor para eleger a Hillary Clinton. O trabalho de campo é impressionante. Hoje na NPR, falavam do esforço que está a ser feito em registar os eleitores, o mesmo que em 2008 e 2012. Tudo isso é guiado pelo uso intensivo de análise de dados. Já é a terceira campanha presidencial na qual Marlon Marshall e Jim Margolis, que fizeram parte das equipas eleitorais de Obama, estão a trabalhar, o MO é sempre o mesmo. Não há no mundo ninguém mais sofisticado.

O próprio Obama ajuda porque, como eu vos disse antes, ele tem todo o interesse em proteger o seu legado e isso só é possível de ser feito com Hillary Clinton. Ele não é burro: estamos perante uma eleição que terá imenso peso para os livros de história. O que acontecer na próxima presidência determinará se o primeiro presidente negro dos EUA será visto como extraordinário ou como alguém que pareceu melhor do que o que realmente foi.

Ouçam o discurso de Obama:


quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Não é nada, por enquanto...

As remessas dos emigrantes caíram em Julho deste ano face a Junho, mas não concluam nada antes de examinar os dados. Em primeiro lugar, seria importante conseguir cruzar as remessas com o número de emigrantes para se ter verdadeiramente noção do que se está a passar, mas as estatísticas portuguesas de emigração não são muito boas porque a série tem uma falha ente 2004 e 2010.

No entanto, se consultarem a série estatística das remessas dos emigrantes, na página do Banco de Portugal, verão que as remessas este ano foram anormalmente altas em Junho, quando, normalmente, o mês forte é Julho. Isto faz com que a diferença Julho-Junho seja uma quebra em vez de um aumento e que a variação de Julho do ano passado para este ano indique também uma grande quebra (já a de Junho indica um grande aumento).

As variações homólogas de Julho têm estado em terreno negativo desde 2014 (antes disso, note-se, não eram sempre positivas), mas as de Dezembro estão a ficar mais positivas. Dezembro é o segundo mês mais forte e, desde 2012, tem estado a ganhar importância. Julgo que é razoável presumir que Julho está a ceder parte da sua importância a Dezembro, ou pelo menos, os emigrantes que saíram desde 2012 estão a enviar mais remessas em dois períodos importantes que coincidem com férias. Mas isto continua a não explicar o porquê de Junho este ano, e não Julho.

Um outro aspecto a ter em contra é a mudança de governo. Até agora, não temos dados suficientes para indicar, com confiança estatística, que a Geringonça está a afectar negativamente as remessas de emigrantes, no entanto olhando para o gráfico, verificamos que houve uma mudança de comportamento na variável quando o actual governo tomou posse, mas a força de Dezembro de 2015, altura em que ainda não se sabia bem o que a Geringonça ia ser, ajuda a diluir o efeito negativo. Note-se que, mesmo sem Dezembro, o efeito negativo não é estatisticamente significativo até Julho, mas acho que a actuação da Geringonça na última semana não ajudou muito o resto do ano.

Dados: Banco de Portugal, milhões de euros, datas estão em m/d/a

Na Quinta-feira sai o relatório do Banco de Portugal e já saberemos mais pormenores.